EnglishPortugueseSpanish

Estudos apontam que usar duas máscaras em vez de uma pode aumentar a proteção contra a Covid-19 para até 91%. Este percentual é atingido normalmente apenas por máscaras N95, que ainda estão em falta no mercado.

“Se você tem uma camada física cobrindo seu rosto, e adiciona outra camada a isso, é de se pensar que ela [a proteção] será mais eficaz, e é por isso que você vê pessoas usando duas máscaras ou improvisando uma versão da N95”, disse o Dr. Anthony Fauci, recentemente apontado como o conselheiro chefe de medicina do presidente norte-americano Joe Biden, em entrevista à NBC.

publicidade

Fauci, Biden e alguns de seus assessores já aderiram à tendência. Eles foram fotografados usando uma máscara cirúrgica por baixo da costumeira máscara de pano.

joe biden duas máscaras
Joe Biden já vem usando, desde dezembro, duas máscaras para maior proteção contra a Covid-19. Imagem: Joshua Roberts/Getty Images

Ao contrário do que dizem algumas informações equivocadas por aí, os primeiros estudos do uso de máscaras concluíram que elas ajudam na redução da transmissão do novo coronavírus. Entretanto, há um limite. Mesmo máscaras esportivas avançadas, dotadas de duas ou três camadas costuradas, raramente passam de 50% ou 60% de proteção.

Já as máscaras cirúrgicas passam desse percentual devido à sua composição. Três camadas derivadas do plástico são “coladas” com um polímero de resina chamado polipropileno e afixadas à máscara de forma similar a uma teia de aranha.

Ao misturar ambos os modelos, você pode atingir, porém, “até mais que 91% de eficiência na remoção e bloqueio de partículas”, disse Joseph Allen, professor adjunto na Escola de Saúde Pública T.H. Chan, ligada à Universidade de Harvard.

Antes dele, em dezembro de 2020, tanto Lindsey Marr, professora de engenharia civil e ambiente da Virginia Tech; e a Dra. Monica Gandhi, professora de medicina na Universidade da Califórnia em São Francisco e médica do Hospital Geral de São Francisco, advogaram em favor de usar duas máscaras.

“Para proteção máxima”, elas sugeriram em seus estudos, “o público poderia usar uma máscara de tecido bem ajustada por cima de uma máscara cirúrgica, de forma que a máscara cirúrgica aja como filtro e a de tecido oferece uma camada extra de proteção ao mesmo tempo em que ajusta o conforto”.

Ou isso, ou então eles recomendam o uso de uma máscara de três camadas, feita de um tecido flexível que se ajuste ao formato do rosto, mas inserindo por dentro dela um “material de filtragem de alta eficiência e não costurado”, como uma bolsa a vácuo.

homem com duas máscaras
Especialistas defendem usar duas máscaras: o uso combinado de uma máscara cirúrgica e outra de tecido por cima. Imagem: Kaentian Street/Shutterstock

Máscaras N95

Evidentemente, nada disso se iguala à eficácia de uma máscara N95. Ela é feita com fibras que contam com uma pequena descarga elétrica capaz de capturar partículas errantes – pense na forma como suas roupas grudam uma na outra depois de uma rodada na secadora.

O problema é que órgãos de saúde, embora reconheçam a eficiência das máscaras N95, não as recomendam para o público, com medo de que isso leve a uma busca massificada. Consequentemente, a falta delas pode impactar diretamente os agentes de saúde e outros funcionários que fazem seu uso.

“Eu temo que, se sugerirmos ou exigirmos que as pessoas vistam a N95, elas não as vestirão o tempo todo”, comentou a Dra. Rochelle Walensky, a nova chefe do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. “Elas tornam a respiração difícil mesmo quando você as veste adequadamente, e são difíceis de tolerar quando usadas por longos períodos”.

Máscara N95
A máscara N95 é a que oferece a maior proteção contra partículas aéreas como o novo coronavírus. Imagem: JN 999/Shutterstock

No presente momento, o uso de duas máscaras é recomendado por especialistas, desde que você se lembre de manter os devidos cuidados de vestimenta e manutenção. Nariz e boca devem ficar cobertos o tempo todo – nada de deixar um deles “para fora” com a desculpa de “respirar melhor”. A cobertura deve sempre começar por cima do nariz e “abraçar” o queixo.

Além disso, ao escolher a sua máscara, prefira sempre aquelas que promovam uma “pegada” mais justa ao seu rosto – elas dão o melhor “fechamento” para frestas por onde ar (e partículas como o novo coronavírus) possam passar.

Dois bons testes podem ser conduzidos para saber se a sua máscara é de boa qualidade. O primeiro pode ser feito antes de adquiri-la. Pegue-a pelos elásticos e a estique contra uma fonte de luz. Se você conseguir ver a luz passando pelas fibras ou se enxergar as linhas de costura, troque por outro modelo.

A segunda prova se dá após vestir a máscara. Acenda um fósforo ou mesmo estique um dedo à frente dela e assopre – se o fósforo apagar ou você sentir o sopro nos dedos, também troque por outra.

Fonte: CNN / Dra. Monica Gandhi