A Xiaomi entrou com uma queixa em um tribunal distrital de Washington contra os Departamentos de Defesa e Tesouro dos Estados Unidos. A empresa quer ser retiradas de uma lista oficial de empresas com laços com as Forças Armadas da China.

Ainda sob o governo de Donald Trump, o Departamento de Defesa acrescentou a Xiaomi e outras oito companhias à lista, que exige que investidores americanos se desfaçam de seus ativos em um prazo definido. Uma ordem executiva assinada pelo então presidente ainda proíbe o comércio e o investimento em qualquer companhia citada no documento.

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Na reclamação, dirigida ao atual secretário de defesa, Lloyd Austin – nomeado pelo presidente Joe Biden – e à secretária do Tesouro, Janet Yellen, a Xiaomi chamou a sentença de “ilegal e inconstitucional” e garante que a empresa não é controlada pelo Exército de Libertação Popular.

A fabricante acrescentou ainda que as restrições de comércio, que entram em vigor no dia 15 de março, causarão “danos imediatos e irreparáveis ​​à Xiaomi”.

Donald Trump
Enquanto presidente, Donald Trump acusou a China de “explorar o capital americano”. Imagem: Joseph Sohm/Shutterstock

Empresa chinesa, dinheiro norte-americano

De acordo com a empresa, 75% dos direitos de voto da Xiaomi estão sob uma estrutura comandada pelos cofundadores Lin Bin e Lei Jun, “sem propriedade ou controle de um indivíduo ou entidade afiliada ao exército”.

A Xiaomi ainda esclarece que um “número substancial” de seus acionistas são pessoas ou grupos dos EUA – inclusive três de seus dez maiores detentores de ações ordinárias.

“As relações estratégicas da empresa com instituições financeiras dos EUA – críticas para que a Xiaomi possa continuar a acessar o capital de que precisa para continuar a crescer em um mercado altamente competitivo – serão significativamente prejudicadas”, afirmou a companhia na reclamação.

“Além disso, a associação pública da Xiaomi com os militares chineses prejudicará significativamente a posição da empresa com parceiros de negócios e consumidores, causando danos à reputação que não podem ser facilmente quantificados ou facilmente reparados”, completa o documento.

Além da Xiaomi, também foram incluídas na lista a Advanced Micro-Fabrication Equipment, Luokong Technology, Beijing Zhongguancun Development Investment Center, Gowin Semiconductor, Grand China Aie, Global Tone Communication, China National Aviation Holding company e Commercial Aircraft Corporation of China.

Huawei, Hikvision, Inspur, Panda Electronics e Semiconductor Manufacturing International Corporation já faziam parte da lista de empresas que supostamente são aliadas ao exército chinês.

Via: Reuters