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Dois engenheiros deixaram o Google como forma de protesto pelas demissões da recrutadora April Christina Curley e da pesquisadora de ética na inteligência artificial (IA), Timnit Gebru – ambas em dezembro de 2020 –, mostrando que a empresa de Mountain View ainda está lidando com diversos conflitos internos entre funcionários e gestores.

David Baker, um diretor que atuava na área de segurança do usuário, disse que a demissão de Gebru “extinguiu o meu desejo de continuar como um ‘Googler'”, em uma carta de demissão obtida pela agência de notícias Reuters. Ele trabalhava na empresa há 16 anos. “Nós não podemos dizer que acreditamos em diversidade, e em seguida ignorar a ausência conspícua de muitas vozes dentro de nossas paredes”, adicionou.

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Pelo Twitter, o engenheiro de software Vinesh Kannan disse que deixou o Google na última terça-feira (2), pois a empresa havia maltratado Gebru e Curley. Vale citar que ambas as demitidas se identificam como mulheres negras. “Elas foram injustiçadas”, disse Kannan.

No final de janeiro, Margaret Mitchell, outra pesquisadora do time de inteligência artificial do Google e ex-colega de Timnit Gebru, também passou a ser investigada pela empresa, tendo alguns de seus acessos corporativos suspensos.

Google quer “recuperar confiança”

Timnit Gebru, pesquisadora de inteligência artificial demitida do Google em dezembro de 2020
A demissão da pesquisadora de IA Timnit Gebru (foto) gerou uma série de críticas contra o Google, que vem perdendo funcionários em protesto. Imagem: Kimberly White/Getty Images

As demissões de Baker e Kannan são o mais novo capítulo de uma longa novela: há tempos, funcionários das áreas de pesquisa do Google pedem por uma maior independência de pesquisa acadêmica, além de maiores transparências nas decisões tomadas em relação à participação da empresa em certos projetos, como por exemplo o “Maven“, uma tecnologia encomendada pelo Pentágono norte-americano para empregar a IA do Google no direcionamento mais preciso de drones – e seus armamentos militares.

Gebru era uma ferrenha opositora do projeto e crítica do Google por aceitar participar dele. Eventualmente, a empresa desligou-se do projeto.

Mais recentemente, funcionários de diversas áreas da empresa juntaram esforços para assegurar a sindicalização, com mais de 800 deles juntando-se à uma organização de proteção de direitos trabalhistas, estabilidade e proteções. Além disso, cerca de 2,5 mil funcionários assinaram uma carta de apoio a Timnit Gebru, quando ela foi demitida.

O Google não comentou os desligamentos de Baker e Kannan, especificamente, mas reafirmou seu compromisso de “recuperar a confiança” de seus funcionários, adicionando ainda que não reconhece as afirmações feitas por Curley de que a empresa a teria demitido por ela fazer várias denúncias de comportamento racista entre gestores, e a empresa não tomar atitudes.

Fonte: Reuters