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Em anos recentes, vimos uma pequena onda de filmes de terror baseados em folclore e lendas urbanas locais, como ‘Slender Man: Pesadelo sem Rosto’ (2018) e ‘A Maldição da Chorona’ (2019). Essas produções são como janelas para vermos como cada cultura experimenta o que os aterroriza e como lidam com o medo. E a partir desta semana, poderemos conhecer um pouco mais do horror russo em ‘A Viúva das Sombras’.

O longa, dirigido por Ivan Minin, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (25) e conta a história de um grupo de resgate perdido nas florestas ao norte de São Petersburgo e perseguidos por uma assombração local. Minin adota o estilo “mockumentary”, com influências declaradas de ‘A Bruxa de Blair’ (1999), ‘O Regresso’ (2015) e do espanhol ‘REC’ (2007).

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“Sempre me perguntei o que uma pessoa está pronta para fazer para salvar sua vida. Fiz muitas pesquisas sobre histórias heroicas e li bastante material sobre a mitologia eslava, depois disso decidi fazer este filme”, afirma Minin. “Existem poucos filmes de gênero sobre heróis reais no cinema russo, e filmes de terror com esse tema não existem de todo”, completa.

A propaganda do filme jura que o enredo é baseado em acontecimentos reais, ocorridos na região de São Petersburgo. Pessoalmente, porém, não encontrei referências a isso – fora matérias relacionadas ao próprio filme.

Ainda assim, a produção investiu no realismo: do elenco, só os personagens que não fazem parte da equipe de resgate são atores, o restante são paramédicos voluntários.

As filmagens começaram em 14 de outubro de 2018, mesmo dia que a história se passa e o início do inverno na tradição eslava. Elas aconteceram nas florestas pantanosas da Rússia – por vários meses, a equipe de filmagem esteve lá, longe da civilização.

Ver um filme de terror feito por uma cultura da qual não estamos acostumados (diferente do que acontece com as obras norte-americanas) adiciona sempre uma camada a mais na experiência. Um estranhamento que aumenta o desconforto nas situações mais tensas. ‘A Viúva das Sombras’ aproveita bem o clima opressor da noite em meio a uma floresta russa para aumentar a tensão.

Na trama, Kristina (Anastasiya Gribova) é uma jornalista que está acompanhando o treinamento de uma equipe de resgate em cavernas. A operação serve de teste para Viktoria (Viktotiya Potemina), em seu primeiro dia como voluntária. Nos primeiros 15 minutos, o filme já entrega todos os pontos principais: a região é um lugar inóspito, os paramédicos são frequentemente convocados a fazer outros tipos de resgates, há um número crescente de pessoas desaparecendo na região e a lenda de uma viúva que matou o marido e foi linchada pelos moradores da vila local – e desde então assombra a floresta.

Viktotiya Potemina, que é uma socorrista voluntária, faz sua estreia como atriz. Imagem: Central Partnership/Divulgação

Com um baixo orçamento, ‘A Viúva das Sombras’ recorre a recursos muito mais sutis para criar o clima de terror. Não há monstros grotescos ou excesso de violência, e sim um clima perpétuo de tensão (que já teria, mesmo sem a parte sobrenatural) e uma iluminação que mais esconde do que mostra. Fazendo mais com menos, o filme não deixa nada a desejar em comparação com qualquer produção hollywoodiana.

A Paris Filmes, que trouxe ‘A Viúva das Sombras’ para o Brasil, o distribuiu em duas versões, dublado e legendado. A versão exibida para a imprensa foi a legendada, mas por cima de uma edição do filme dublada em inglês. Não que essa dublagem seja de má qualidade, mas ainda assim pode soar estranha. A mim, me pareceu muito com os jogos de videogames que estamos acostumados a ouvir em inglês. Nesse caso, talvez a versão dublada em português seja uma boa pedida.  


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