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Procuradores do Ministério Público Federal desdenham de iPhone de R$ 3.700

Procuradores do Ministério Público Federal (MPF) estão indignados com a escolha do novo smartphone funcional a que tem direito. Mensagens de uma rede interna usada pelos procuradores e obtidas pela Folha de São Paulo mostram alguns chamando o iPhone SE, que segundo a Apple custa “a partir de R$ 3.699”, de “esmola”.

Além de um smartphone funcional, cada integrante do MPF tem direito a um notebook no valor de até R$ 4.500 e a um tablet (um iPad). Um contrato da Procuradoria Geral da República (PGR) com a Claro fechado ao final de 2020 prevê o fornecimento de linhas (com custo mensal de R$ 219,90) a 1.200 procuradores e 650 servidores comissionados.

Os iPhones seriam fornecidos no regime de comodato, onde não há compra dos aparelhos. As críticas dos procuradores foram dirigidas a Darlan Airton Dias, Secretário de Tecnologia de Informação e Comunicação da PGR e responsável pela gestão dos contratos.

O Procurador da República Marco Tulio Lustosa, que atua no Piauí e em janeiro recebeu um salário de R$ 102 mil, foi um dos que se manifestou:

“Darlan e colegas, recebemos aqui no estado um email perguntando se queremos receber somente um chip da claro, ou continuar recebendo um chip com o aparelho, COM O ALERTA QUE SE A OPÇÃO FOR ESTA ÚLTIMA O APARELHO SERÁ UM IPHONE SE!!!”

“É isso mesmo, Darlan??!!! Você acha mesmo que depois de mais de três anos com um iphone 7, já ultrapassado, processador lento, bateria ruim, tela pequena, vamos aceitar por mais outros 30 meses um iphone SE?? Acho que ninguém aqui é moleque, Darlan!!”

“Isso é um insulto!! Não quero esmola! Acho que ninguém aqui quer esmola!! Estamos há quase um ano trabalhando de casa, celular, notebook, internet, energia… Que bagunça é essa?? Estão querendo nos humilhar??!! Não aceito humilhação, Darlan. Acho que devemos ser respeitado!!!”.

O procurador encerra a mensagem pedindo aos colegas que “NÃO ACEITEM ESSA ESMOLA!!”. Já a procuradora Ana Paula Ribeiro Rodrigues, do Rio de Janeiro, afirmou: “É incrível essa notícia trazida pelo Marco Tulio. Torcendo para que haja algum equívoco nisso”.

“Essas notícias chegam nessa situação de penúria, em que a gente fica desesperado atrás de acumulações para poder complementar o salário. Isso para os ‘privilegiados’ que conseguem chances de acumular”, complementa.

Segundo a Folha de São Paulo, de fevereiro a dezembro passados, Ana Paula recebeu gratificações por acúmulo de ofício que variaram de R$ 5.600 a R$ 7.400 por mês.

iPhone SE 2020: aparelho de R$ 3.699 foi considerado como uma “esmola” pelos procuradores. Imagem: Apple

A Procuradoria no Piauí afirma que a fala foi retirada de contexto. “O cerne da discussão deu-se em razão da necessidade de trabalho, sobretudo neste período de home office, por celulares com telas maiores e sistema operacional seguro, como bem já recomendou a Secretaria de Tecnologia da PGR”, afirmou.

A discussão teria sido motivada pelo contrato da PGR “não atender às necessidades dos membros em razão do tamanho da tela do aparelho iPhone SE, da defasagem em relação às novas tecnologias (5G) e do custo-benefício de um contrato longo, de 30 meses”.

O órgão afirma que o contrato com a PGR foi suspenso. Mas a PGR afirma que ele está mantido, e justifica a escolha: “Trata-se de um modelo intermediário, que atende às necessidades a um custo adequado para a administração, possui sistema operacional reconhecidamente mais seguro, há uma cultura de uso na instituição e tem compatibilidade com outro equipamento (iPad) fornecido pelo MPF.”

Fonte: Folha de São Paulo

Esta post foi modificado pela última vez em 1 de março de 2021 12:20

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Publicado por
Rafael Rigues