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Criador do antivírus que leva o seu sobrenome, John McAfee foi indiciado pela promotoria federal dos Estados Unidos, que o acusa de ser o protagonista de um esquema de fraude envolvendo criptomoedas alternativas. De acordo com os documentos recentemente liberados à mídia, o segurança e conselheiro de finanças de McAfee, Jimmy Gale Watson Jr., também está envolvido no caso.

Segundo a promotoria, os dois se valeram da popularidade de McAfee no Twitter – onde ele mantém um perfil verificado com cerca de um milhão de seguidores – para promover “a moeda do dia” e outras recomendações, urgindo que fãs investissem em criptomoedas como Dogecoin e Reddcoin, entre dezembro de 2017 e outubro de 2018. Uma investigação conduzida pelas autoridades revelou que McAfee fazia compras dessas moedas a preços reduzidos, seguia com suas recomendações, e as vendia após usuários da rede social de microblogs as hipervalorizassem.

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John McAfee, o excêntrico criador do antivírus que leva seu nome, vem enfrentando problemas com a lei desde que se aposentou há quase 10 anos. Imagem: Todd J. Van Emst/Opelika-Auburn News/Associated Press

“McAfee e Watson exploraram uma plataforma social amplamente utilizada, bem como o entusiasmo de investidores por criptomoedas emergentes a fim de lucrarem milhões com mentiras e enganações”, disse a promotora Audrey Strauss, em comunicado. “Os acusados teriam usado a conta de McAfee para publicar mensagens a centenas de milhares de seus seguidores no Twitter, recomendando diversas criptomoedas por meio de informações falsas ou elusivas para esconder seus motivos reais e egoístas”.

Ao todo, John McAfee e Jimmy Gale Watson enfrentam sete acusações, com cada uma delas trazendo penas entre cinco e 20 anos de prisão em caso de condenação. Dentre as acusações que mais se destacam, temos conspiração para se cometer fraude, fraude de commodities e segurança financeira, e lavagem de dinheiro. O caso ainda segue em investigação, então uma audiência sobre ele deve demorar um pouco.

Não é a primeira vez que McAfee se vê frente de frente com a lei: em 2020, ele já havia sido preso por evasão de impostos. No mesmo ano, levou um processo por promover, de forma fraudulenta, aberturas iniciais de moedas (ICOs). O caso de maior destaque, porém, foi em 2019, quando foi condenado a pagar US$ 25 milhões (R$ 142,28 milhões, na conversão atualizada) por supostamente ter encomendado o assassinato de seu vizinho quando residia em Belize, um país localizado na América Central. McAfee nega até hoje qualquer envolvimento na morte do homem e recusa-se a pagar qualquer quantia.

Todos esses crimes ainda estão pendentes de processo e podem ser somados às novas acusações de fraude.

Fonte: The Verge