EnglishPortugueseSpanish

Em 14 de março a Agência Espacial Paraguaia (AEP) lançou seu primeiro satélite, a partir da Estação Espacial Internacional. O Guaranisat-1 é parte do BIRDS, um projeto apoiado pelo governo japonês e pelo Instituto de Tecnologia de Kyushu, Kyutech.

O programa foi criado para fomentar a engenharia aeroespacial em nações que não têm acesso ao espaço. “Qualquer nação emergente pode arcar com o custo do programa”, diz George Maeda, professor assistente da Kyutech, que lida com as relações internacionais. O supervisor do programa é o Professor Mengu Cho, também da Kyutech.

publicidade

O Guaranisat-1 foi lançado como parte da missão BIRDS-4, que também inclui satélites do Japão e das Filipinas. Missões anteriores lançaram os primeiros satélites de Gana, Bangladesh, Mongólia, Butão, Nepal e Sri Lanka.

“O primeiro satélite do nosso país marca um momento histórico”, diz Alejandro Román, gerente do projeto “Paraguai ao espaço” de AEP. “É o primeiro passo em um longo caminho para trazer os benefícios do espaço para o Paraguai em áreas como redução de risco de desastres, agricultura, gestão de recursos naturais, gestão de terras e clima”.

O satélite Guaranisat-1 antes do lançamento
O satélite Guaranisat-1 antes do lançamento. Imagem: Nasa

O satélite paraguaio tem uma missão nobre: detectar regiões do país onde há a presença do barbeiro, inseto que transmite a Doença de Chagas. Dados obtidos pelo satélite serão usados para criar um mapa de risco de doença, que poderá ser usado pelas autoridades para ajudar a determinar ações de prevenção.

“A doença de Chagas afeta especialmente populações vulneráveis, incluindo comunidades indígenas na região, representando um problema de saúde pública”, diz Adolfo Jara, estudante de Ph.D envolvido no processo. Além dele também participa Anibal Mendoza, que está fazendo mestrado em engenharia elétrica e espacial.

Anibal Mendoza (esquerda) e Adolfo Jara (direita), estudantes responsáveis pela criação do Guaranisat-1
Anibal Mendoza (esquerda) e Adolfo Jara (direita), estudantes responsáveis pela criação do Guaranisat-1. Imagem: Nasa

O programa BIRDS visa capacitar estudantes de engenharia e enviá-los “para casa” para que possam ensinar os outros, criando uma base para um programa espacial sustentável em seu país.

Os alunos de países participantes vão ao Japão para aprender todo o processo, do planejamento da missão ao design de hardware, testes, lançamento e operação em órbita. Os alunos fazem todo o trabalho, diz Maeda, com apenas supervisão leve da Kyutech.

Leia mais:

“Eles nunca projetaram e construíram um satélite, então eles cometem muitos erros, mas isso é parte importante do processo de aprendizagem. Você não pode aprender a construir um satélite lendo livros. Eles aprendem passando muito tempo nos laboratórios experimentando” Todo o trabalho de projeto deve ser concluído em 24 meses, o tempo necessário para completar um mestrado no Japão.

O Guaranisat-1 também tem uma câmera para capturar imagens a partir do espaço. Um computador a bordo usa inteligência artificial para classificar imagens em categorias predefinidas e escolher aquelas adequadas para download. O satélite ficará em órbita por até dois anos, transmitindo a cada 90 segundos para uma rede de estações em cada um dos países participantes.

Fonte: Nasa