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Especialistas de todo o mundo advertem que, por enquanto, não existe tratamento contra a Covid-19. Nem profilático, ou seja, como forma de prevenção, nem quando o paciente já está infectado com o novo coronavírus. E mais: o chamado kit Covid pode até levar à morte.

Mesmo assim, seu uso foi incentivado por políticos e médicos brasileiros para evitar a contaminação ou impedir que a doença se agravasse em indivíduos atingidos pelo novo coronavírus. Passou até a ser distribuído ao redor do país para doentes que procuravam serviços de saúde pública e privada.

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ivermectina
Ivermectina é um dos medicamentos incluídos na cesta de remédios contra a Covid-19. Foto: adrianosiker.com/Shutterstock

Entre as drogas do kit estão a cloroquina, a ivermectina, a nitazoxanida e a azitromicina. Além delas, a cesta de medicamentos pode conter vitamina D, vitamina C, zinco e outros. Não há comprovação científica de que qualquer um desses itens traga benefícios a pacientes com Covid-19 nem que ajudem a prevenir a doença, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF).

A entidade reforça, ainda, que os pacientes podem ficar expostos aos perigos associados ao uso desses fármacos. “Em alguns casos, o uso combinado pode aumentar o risco de efeitos adversos por interação medicamentosa. É o caso, por exemplo, do uso concomitante de hidroxicloroquina e azitromicina, que pode potencializar a chance de danos cardiovasculares”, diz.

Nos últimos dias, pacientes que usaram ivermectina contra a Covid-19 foram parar na fila dos transplantes de fígado e morreram antes mesmo de passar por cirurgia. Além disso, doentes submetidos a nebulização com solução de cloroquina também se tornaram vítimas fatais da doença na quarta-feira (24).

Remdesivir é aprovado pela Anvisa para pacientes com Covid-19
Remdesivir é o único fármaco aprovado para uso contra a Covid-19 no Brasil. Foto: Tobias Arhelger/Shutterstock

Por enquanto, só o remdesivir foi aprovado para ser usado no tratamento da Covid-19 no Brasil. Além de sua indicação ser bastante específica, a droga é exclusiva para uso em ambiente hospitalar. Ela tem potencial de reduzir o tempo de recuperação dos pacientes e parece contribuir para a melhora clínica. Já como profilaxia, não há nenhum remédio disponível.

Efeitos adversos do kit Covid

Todo medicamento tem contraindicações e a capacidade de alterar os efeitos de fármacos já usados pelo paciente. Veja, a seguir, quais reações estão associadas a alguns dos remédios incluídos no kit Covid.

  • Hidroxicloroquina: a droga é indicada para doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. Em pacientes com Covid-19, pode causar dores abdominais, diarreia, náusea e vômitos, lesão hepática aguda, miopatia, vertigem, reações extrapiramidais, convulsões, taquicardia e outros.
  • Ivermectina: usada no tratamento de infestações de parasitas, como piolho e sarna. Pode levar a lesões no fígado, diarreia, dor abdominal, anorexia, constipação e vômitos, febre, taquicardia, dor de cabeça, tontura, sonolência, vertigem e tremor, inchaço nos membros, hipotensão, além de prurido, coceira e erupções cutâneas. A própria fabricante da substância, a Merck, Sharp & Dome (MSD), já se manifestou sobre o tema para informar que o medicamento não serve para tratar a Covid-19.
  • Azitromicina: esse antibiótico é indicado para infecções do trato respiratório inferior, como a pneumonia. Os efeitos adversos relacionados a seu uso incluem disfunções auditivas, náusea, vômito, diarreia, desconforto abdominal, disfunção hepática, reações alérgicas na pele, trombocitopenia, anafilaxia, agitação, tontura, sonolência, palpitações e arritmias, cansaço e mal-estar, entre outros.
  • Nitazoxanida: esse medicamento é um antiparasitário, que também tem ação antiviral. Quando usado contra o novo coronavírus, pode causar náusea, diarreia, vômito e dor abdominal, dor de cabeça, reação alérgica, taquicardia, mudanças na coloração dos olhos, urina e esperma, e vermelhidão, coceira e erupções na pele.
  • Vitamina D: o consumo excessivo desse suplemento pode causar constipação, fraqueza muscular, vômitos, irritabilidade e desidratação. Se for usada por períodos prolongados, a vitamina D pode levar a alterações endócrinas e metabólicas, como proteinúria, disfunção renal, hipertensão, arritmias, pancreatite, psicose e outros. Outros efeitos do uso são secura da boca, cefaleia, perda de apetite, náuseas, fadiga, sensação de fraqueza, dor muscular, prurido e perda de peso.
  • Vitamina C: quando consumida em doses altas por tempo prolongado, pode causar escorbuto de rebote, distúrbios digestivos, eritema, cefaleia, aumento da diurese e litíase em pacientes com insuficiência renal e naqueles predispostos a desenvolver cálculos renais.

Como lidar com os sintomas

Pacientes que sentirem sintomas de Covid-19 não devem recorrer à automedicação, especialmente com os itens do kit Covid. O ideal é que evitem contato com outras pessoas e procurem imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou outros serviços de saúde.

Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19, destaca que, apesar de não haver tratamento para a doença em si, existem formas de aliviar seus sintomas – e de preveni-la sem o uso do kit Covid. “A prevenção que funciona é pelas vacinas e pelas medidas de precaução, como o uso de máscara, o distanciamento social e a higienização correta das mãos.”

Via: Estadão