“Porteiros da internet”: estas empresas controlam o que você pode acessar

Quando se fala em controle da internet, as primeiras empresas que vêm à mente, em geral, são as gigantes do Vale do Silício, como GoogleFacebook e Twitter. Entretanto, o controle da rede está nas mãos de empresas bem menos conhecidas, que podem ser classificadas como “porteiros da internet”. 

As empresas de serviços da web se empilham em diferentes camadas, que vão desde as plataformas, até os provedores de internet. Cada uma tem sua função e, sem elas, nós não conseguimos desfrutar adequadamente da internet.

  1. Plataformas: são, na prática, os sites e aplicativos que nós acessamos, como as redes sociais e as lojas online;
  1. Serviços em nuvem: são os locais de armazenamento dos arquivos das plataformas que podem fornecer hospedagem e processamento de dados;
  1. Redes de distribuição de conteúdo e pagamentos: disponibilizam serviços como streaming de conteúdo e pagamentos online, além da proteção contra ataques cibernéticos;
  1. Registradores de domínio: este serviço é o que permite que os desenvolvedores web registrem os nomes dos sites e garantem que o tráfego seja direcionado para o lugar certo;
  1. Provedores de internet: empresas que fornecem os serviços de internet móvel e fixa, o acesso à redes propriamente dito. Sem eles, estamos offline.

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Por mais que a vitrine sejam as plataformas, pode-se dizer que o poder de fato esteja nas mãos em empresas que podem até ter um nome conhecido, mas são famosas por outras razões. 

Manda quem pode

Amazon Web Services baniu o Parler após os ataques ao Capitólio.

Um exemplo disso é o Amazon Web Services (AWS), serviço de hospedagem de sites da gigante do varejo. A empresa fornece o poder de computação em nuvem que mantém boa parte dos sites e aplicativos conhecidos no ar. 

Um destes sites era a rede social de extrema-direita Parler. No entanto, desde o último dia 6 de janeiro, após os ataques ao capitólio, a AWS deixou de prestar seus serviços à plataforma, o que fez com que ela ficasse fora do ar por pelo menos dois meses. 

O argumento da Amazon foi de que o Parler apresentava muitas postagens violentas e os mecanismos de moderação contra discursos de ódio era insuficiente. Na esteira da AWS, Google e Apple também removeram o aplicativo da rede social de suas respectivas lojas. 

Sem concorrência

Play Store e App Store não possuem concorrentes.

O poder de empresas que estão em camadas mais baixas, ou altas, a depender do ponto de vista, da internet é imenso, já que eles não possuem concorrentes. Um exemplo disso são a App Store, do iPhone, e a Play Store, do Android. 

Caso alguém seja banido dessas plataformas, é virtualmente impossível ter um aplicativo rodando na esmagadora maioria dos smartphones, já que essas lojas não possuem concorrentes. 

O mesmo vale para plataformas de financiamento, como PayPal, Mercado Pago, PagSeguro, entre outros. Embora a gama de serviços de pagamento seja maior, ações coordenadas podem fazer com que usuários sejam bloqueados e seu financiamento interrompido. 

Alguns movimentos, como é o caso do Sleeping Giants, já perceberam que vale mais a pena buscar “queimar” os rivais frente a essas plataformas, como já foi feito uma série de vezes com o PayPal

Por conta disso, estas empresas, que não têm seus representantes depondo no Congresso americano, vêm cada vez mais se notabilizando por serem algo como os porteiros da internet, podendo fechar o portão na cara de qualquer um que vá contra seus interesses. 

Com informações do The Washington Post 

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Esta post foi modificado pela última vez em 25 de março de 2021 09:41

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Publicado por
Kaique Lima