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ARM apresenta recursos de nova geração de processadores

Talvez você não tenha ouvido falar nela, mas a ARM é uma das mais importantes empresas no mercado de tecnologia no momento. Sua arquitetura de processadores (a “arquitetura ARM”) e designs de referência são a base para os chips produzidos por empresas como Qualcomm, MediaTek, Samsung, Apple, Broadcom, Rockchip e muitas outras, que são o coração de aparelhos que vão roteadores Wi-Fi aos smartphones e computadores mais cobiçados pelos consumidores.

Portanto, quando a empresa anuncia mudanças em sua arquitetura, todos escutam com atenção. Durante o evento Vision Day, realizado na última terça-feira (30), a ARM apresentou algumas características da arquitetura ARM v9, que chegará ao mercado em 2022.

ARM v9: melhor desempenho e mais segurança

As principais promessas são melhor desempenho, tanto em cálculos quanto em gráficos, e mais segurança através de um sistema de “compartimentalização” de tarefas.

Segundo a empresa, o ganho de desempenho nos SoC (System on a Chip, Sistema em um Chip) da linha Cortex, usada em eletrônicos de consumo, será de 30%.

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Já as GPUs Mali integrada aos chips verão mudanças ainda mais substanciais, com recursos como suporte a Ray Tracing e Variable Rate Shading, projetados para deixá-los mais próximos das GPUs de “desktop” de empresas como a AMD e NVidia. Boa notícia para os gamers, especialmente em uma época em que os smartphones praticamente substituíram os consoles portáteis.

A ARM v9 também terá melhorias no conjunto de funções para cálculo vetorial, essenciais para aprendizado de máquina, inteligência artificial e processamento digital de sinais. Chamadas de SVE2 (Scalable Vector Extension, Extensão Vetorial Escalável), elas são uma extensão dos conjuntos anteriores, SVE e NEON.

Segundo a ARM, as funções SVE2 substituem completamente as NEON, o que significa que um desenvolvedor poderá escrever código apenas uma única vez e executá-lo com desempenho otimizado independentemente da arquitetura do chip onde está rodando, seja em um smartphone com registradores de 128 bits ou um servidor com 512 bits.

A MediaTek é uma das muitas empresas que produzem chips baseados na arquitetura ARM. Imagem: g0d4ather/Shutterstock

Por fim, haverá mudanças na segurança, com o que a ARM chama de “Confidential Compute Architecture” (Arquitetura de Computação Confidencial). Tarefas em execução poderão ser reparadas em “realms” (algo como “domínios” ou “territórios”) que são completamente opacos a outros realms e ao hipervisor que controla a alocação de recursos e operação do sistema.

Também haverá um recurso chamado MTE (Memory Tagging Extensions), projetado para eliminar bugs causados por erros de manipulação de memória, como buffer overflow (estouro de buffer) e use-after-free (tentativa de usar memória após marcá-la como “livre” para outros programas). Segundo uma análise do Google, 70% dos problemas de segurança do Chrome são relacionados à manipulação de memória.

A ARM promete mais detalhes sobre os novos recursos da ARM v9, especialmente sua implementação da Confidential Computing Architecture, ainda neste ano. Os primeiros aparelhos com chips baseados na nova arquitetura devem chegar ao mercado em 2022.

Fonte: Ars Technica

Esta post foi modificado pela última vez em 1 de abril de 2021 11:46

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Publicado por
Rafael Rigues