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O Facebook derrubou mais de 300 perfis relacionados ao grupo militante Mojahedin-e Khalq (MEK), exilado do Irã e opositor do governo vigente do país. Segundo a rede social, foram desligados 128 perfis, 41 páginas e 21 grupos, além de 146 contas no Instagram – todas supostamente operadas da Albânia e conectadas ao MEK.

O líder de inteligência e ameaças globais do Facebook, Ben Nimmo, revelou que o grupo atua em uma “fazenda de trolls”. “É uma organização física onde um grupo de operadores gerenciam uma série de contas falsas como parte de uma operação de influência”, explicou.

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“Fazendas trolls” é um termo adotado pelo mercado tecnológico para referir-se a organizações que usam plataformas sociais como o Facebook, o Twitter e o Instagram, para disseminar mensagens específicas por meio de fakes e grupos de incentivo à desinformação. Algumas pessoas podem se referir às fazendas como “gabinete do ódio”, mas nem sempre essa similaridade existe, uma vez que os gabinetes são formados para atacar alvos específicos e/ou publicar fake news, enquanto a “fazenda” pode ter motivos mais abertos, como críticas a um governo de forma generalizada.

Facebook Imagem: Shutterstock/ Alexandra Popov
Facebook diz ter derrubado mais de 300 contas ligadas a grupo militante do Irã. Imagem: Shutterstock/ Alexandra Popov

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O MEK publicava postagens negativas sobre eventos iranianos, criticava o governo vigente do país, comentava amplos elogios ao Mojahedin-e Khalq e compartilhava links que levavam usuários a páginas amigáveis ao movimento. Efetivamente banido do Irã, o grupo de oposição vinha utilizando fotos de celebridades do país em seus perfis, além de dissidentes mortos ou falecidos, modelos internacionais e até mesmo crianças. Alguns também se valiam da tecnologia e utilizavam fotos falsas criadas por sistemas de inteligência artificial.

O comportamento do grupo, bem como o uso de imagens falsas e perfis sem identificação real, violou os termos de uso e conduta do Facebook, que os derrubou da plataforma.

Imagem: Shutterstock

É importante ressaltar que o MEK não é uma organização militar, mas sim um grupo político de oposição. Atualmente, eles fazem parte de um movimento mais amplo de oposição ao governo do Irã, o Conselho Nacional de Resistência (NCRI). O Mojahedin-e Khalq não respondeu os questionamentos da imprensa, mas veio a público criticar o Facebook pela ação.

“A acusação de que existe uma ‘fazenda de trolls’ ligada ao MEK na Albânia é ridícula e absolutamente falsa”, disse o NCRI, via comunicado on-line. O grupo ainda ressaltou que nunca fez uso de contas falsas nem tirou vantagem da identidade de outras pessoas. Questionado sobre isso, o Facebook reforçou que encontrou evidências que sugerem essa conexão.

As informações foram compartilhadas pela rede social em um relatório de ações que informava as medidas tomadas pela empresa contra o combate ao comportamento duvidoso e contas inautênticas em sua plataforma.

Fonte: Facebook