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A Globo anunciou nesta quarta-feira (7) um contrato de sete anos com o Google que visa migrar operações e processos para a nuvem pública do Google Cloud a fim de suportar a transformação digital da emissora. O anúncio está em linha com a estratégia da empresa em focar nas entregas direct-to-consumer (D2C) e se tornar uma mediatech.

O movimento, segundo executivos da empresa, é estratégico e visa também a cocriação de novas possibilidades de negócios, e não apenas uma relação de fornecimento de serviços.

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Para Raymundo Barros, diretor de estratégia e tecnologia da Globo, a crescente necessidade de adequação ao digital foi um dos fatores que levou à decisão.

“As operações digitais ganharam tamanha relevância e volume que nos fez refletir e pivotar a forma como historicamente suportávamos nossas operações do ponto de vista tecnológico”, disse ele, em coletiva de imprensa. “Chegamos a uma escala tal de consumo e relevância que a melhor solução é migrar. A nuvem pública do Google oferece recursos computacionais que vai nos garantir escala para continuar crescendo na velocidade da economia digital.”

Sobre uma mesa de madeira, um smartphone exibe o logotipo do Globoplay, ao lado há óculos de grau e um fone de ouvido.
Hoje, o Globoplay é o carro-chefe da emissora dentro da sua estratégia digital.
Crédito: Julio Ricco/Shutterstock

No último ano, Barros relata que a Globo teve um crescimento exponencial. A título de exemplo, o executivo relata que o Big Brother Brasil relata registrou aumento de 300% em termos de consumo nas plataformas digitais, na comparação com a edição anterior do reality show.

“Em um data center próprio, podemos investir em uma determinada capacidade segundo expectativa e experimentar alguns momentos de capacidade ociosa, em outros com a capacidade muito afetada como aconteceu com a Globoplay no primeiro mês de BBB. Ir para a nuvem resolve essa curva entre capacidade e demanda porque o ajuste e provisionamento é natural.”

Segundo explica o executivo, a parceria visa transferir conteúdos e produtos digitais, como Globoplay e família G, que abarca as marcas G1, GE.com e Gshow.

Os primeiros canais que devem migrar completamente para a nuvem, no entanto, são os de conteúdos “frios”, que são gravados e não possuem data de validade. Nesse balaio estão canais como Gloob, Viva e OFF.

Já em um segundo momento, serão agregados à iniciativa canais com conteúdos mais urgentes e, por fim, os inteiramente ao vivo.

No longo prazo, o planejamento prevê a migração de 100% do centro de dados à nuvem do Google, habilitando escala na produção e distribuição de mídia, lançamento de novos canais, entre outras iniciativas.

A pandemia foi outro ponto que reforçou o direcionamento da empresa para a nuvem. Durante o período, a emissora teve de se adaptação internamente para proteger colaboradores por conta do coronavírus, sem que fosse necessário congelar produções.

“Hoje, temos cerca de 600 profissionais de pós-produção trabalhando de casa. Tivemos produtos inteiramente em nuvem, como o Diário do Confinado”, afirma Barros. Além disso, para os programas esportivos, a emissora também adaptou o que o executivo chama de “pequeno data center sobre rodas”, para poder realizar transmissões ao vivo, ao passo que narrador, técnicos e comentaristas pudessem permanecer em casa.

É nessa toada que a Globo pretende rodar 50 eventos esportivos com produção em nuvem até o fim de 2021.

Trabalhos em parceria entre Globo e Google

O contrato entre Globo e Google visa migrar processos de produção e distribuição para a nuvem pública da Google Cloud, bem como desenvolver oportunidades de negócios.

Eduardo Lopez, presidente de Google Cloud para a América Latina, reforça a importância da parceria e vê a movimentação como “pilar importante de inovação e cocriação, para impactarmos a indústria e o futuro da mídia”, disse ele, também durante a coletiva.

O primeiro trabalho conjunto das empresas endereça a Android TV e já está em curso. Barros, da Globo, comenta que a ideia é integrar Globoplay à Android TV, tornando mais fluído o consumo de conteúdo de espectadores, independentemente da plataforma que ele escolher – comportamento este inerente à demanda no consumo digital atual.

“A parceria irá permitir uma experiência de consumo substancialmente melhor e fluída no sentido de consumir conteúdo na televisão aberta e pela internet”, comenta Barros.

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A ideia é que, já a partir de 2022, grande parte das operações estejam rodando na nuvem, bem como consumidores começaram a sentir o impacto dessa mudança na forma como consomem conteúdos da emissora, seja na televisão, ou on demand, especialmente via Globoplay – um dos carros-chefes da casa.

A expectativa é que, no futuro próximo, a integração permita combinar a programação da TV aberta e a da TV via internet, resultando em novas formas de interação.

Além disso, o usuário poderá migrar entre uma plataforma e outra, consumindo conteúdos no online assim que acabar um programa que ele estava assistindo na televisão tradicional, sem atritos.

Barros afirma também que a intenção é tornar a plataforma de streaming cada vez mais personalizada. Assim, as tecnologias de machine learning e inteligência artificial do Google responderão como pilar essencial da estratégia de inovação da Globo.

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