Facebook comete discriminação de gênero em distribuição de anúncios, diz estudo

O Facebook está enfrentando problemas com seu sistema de distribuição de anúncios. Uma pesquisa descobriu que a rede social comete discriminação de gênero e deixa de exibir determinadas vagas de emprego para mulheres.

O estudo realizado pela Universidade do Sul da Califórnia comprou anúncios na plataforma de Mark Zuckerberg com vagas de emprego para motoristas de entrega. As mesmas qualificações foram exigidas nas vagas colocadas por duas empresas diferentes. Não havia nenhum requisito de grupo demográfico específico selecionado.

Um dos anúncios era para trabalhar como entregador na Domino’s Pizza e a outra para entregar alimentos pela Instacart. A rede de pizzaria possui mais motoristas homens, o resultado mostra que o algoritmo do Facebook percebeu isso e direcionou as vagas para pessoas do sexo masculino. Já a empresa focada na entrega de alimentos saudáveis teve a maior parte de seus anúncios direcionados para usuários do sexo feminino.

“A distribuição de anúncios do Facebook pode resultar em discriminação nas vagas de emprego por gênero, além do que pode ser legalmente justificado por possíveis diferenças nas qualificações”, diz o relatório da pesquisa. “Fortalecendo assim os argumentos levantados anteriormente de que os algoritmos de entrega de anúncios do Facebook podem estar violando das leis antidiscriminação”, completa ainda.

Facebook e a discriminação de gênero em anúncios

O resultado fica ainda mais claro pois o estudo também comprou anúncios para as mesmas vagas no Linkedin. Mas, ao contrário do Facebook, a plataforma de Microsoft mostrou normalmente as duas ofertas de emprego tanto para mulheres quanto para homens.

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Mas não para por aí, o estudo também comparou outras vagas. Engenheiro de software na Nvidia, foi mostrado mais para homens, já vendedor de joias, mulheres. Um anúncio de vendedor de carros foi exibido mais para homens, já uma vaga para trabalhar no desenvolvimento de software para Netflix, mulheres.

O Facebook não é claro se mapeia as pessoas que já trabalharam naquela determinada empresa para selecionar para quem mandar as vagas ou se analisa as características da vaga em si. “Nosso sistema leva em consideração muitos sinais para tentar servir às pessoas anúncios nos quais elas estarão mais interessadas, mas entendemos as preocupações levantadas no relatório”, disse o porta-voz do Facebook Tom Channick, para o The Verge.

“Tomamos medidas significativas para abordar questões de discriminação de gênero em anúncios no Facebook e hoje temos equipes trabalhando na justiça dos anúncios. Continuamos a agir em estreita colaboração com a comunidade de direitos civis, reguladores e acadêmicos sobre essas questões importantes”, completou ainda.

Essa não é a primeira pesquisa desse tipo. Em 2016, a ProPublica divulgou uma análise que mostrava um sistema de “afinidades étnicas” no Facebook, deixando de mostrar determinadas vagas de emprego para negros e hispânicos. Na época, a plataforma disse que iria trabalhar em seus códigos para evitar que esse tipo de evento voltasse a ocorrer.

Via The Verge

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Esta post foi modificado pela última vez em 9 de abril de 2021 15:15

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Publicado por
Lucas Soares