RNA: entenda como ele pode revolucionar o tratamento médico além da Covid-19

Os RNAs, ou ácidos ribonucléicos, são algumas das moléculas mais importantes para a vida neste planeta. O RNA é encontrado em todas as células do corpo e desempenha um papel importante no fluxo de informações genéticas.

Ele ajuda outras biomoléculas a se encontrarem e ajuda a reunir outras proteínas e RNAs. Essas funções são cruciais no gerenciamento dos vários níveis de regulação genética, que por si só são importantes para o funcionamento adequado do corpo.

Já os RNAs “mensageiros” (mRNAs) copiam e carregam as instruções genéticas de nosso DNA para as fábricas de produção de proteínas de nossas células (ribossomos), que podem então criar os componentes biológicos e a maquinaria de que precisam para funcionar.

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Por sua ampla gama de recursos, e por ter uma sequência molecular simples que pode ser facilmente lida pelos pesquisadores, o RNA tornou-se uma ferramenta extremamente útil no desenvolvimento de tecnologias biomédicas recentes – incluindo a edição de genes em técnicas como a CRISPR. Conheça três áreas da medicina onde o uso do RNA está sendo investigado.

Vacinas com mRNA

As vacinas de mRNA usadas para proteger contra o SARS-CoV-2 (o vírus que causa a Covid-19) são as primeiras desse tipo a serem licenciadas para uso humano generalizado. Mas os estudos e testes clínicos com vacinas de RNA para outros vírus – e até mesmo cânceres – vêm acontecendo há uma década

Esses tipos de vacinas introduzem uma sequência específica de RNA no corpo, que faz com que os ribossomos criem uma proteína viral específica e inofensiva. Por sua vez, isso treina o sistema imunológico para responder de tal forma que produza uma forte proteção contra esse vírus na próxima vez que o encontrar.

A “vacina da Pfizer” (Comirnaty) contra a Covid-19 é baseada na tecnologia de RNA Mensageiro. Imagem: Giovanni Cancemi/Shutterstock

Isso é diferente das vacinas convencionais, que exigem uma forma inofensiva e inativa de um vírus, ou pequenos fragmentos de proteínas produzidos por um vírus, para treinar o sistema imunológico. Projetar e sintetizar uma sequência de RNA que forneça instruções ao corpo também é fácil e rápido.

Um dos maiores obstáculos na produção de drogas eficazes baseadas em RNA têm sido a relativa instabilidade das moléculas. Eles se degradam rapidamente quando expostos a certas enzimas e produtos químicos comuns, portanto, precisam ser mantidos em temperaturas muito baixas – em alguns casos abaixo de -70 ℃ , conforme exigido para a vacina Pfizer.

Novos métodos de diagnóstico

O RNA também desempenha um papel crescente no diagnóstico. Pesquisas em biópsias líquidas (que requerem apenas uma amostra de fluidos corporais humanos, como sangue) têm mostrado cada vez mais que, medindo os níveis de RNAs específicos, muitas doenças podem ser diagnosticadas em um estágio inicial – incluindo câncer, doenças neurodegenerativas e doenças cardiovasculares.

As combinações de biomarcadores de RNA também podem ser avaliadas simultaneamente, permitindo não apenas mais confiança em um diagnóstico, mas até mesmo previsões de progressão e prognóstico da doença.

Desenvolvimento de medicamentos

O RNA também está sendo usado para ajudar a desenvolver novos medicamentos. Drogas que têm como alvo o RNA podem ser identificadas e, em alguns casos, personalizadas, porque os pesquisadores podem amostrar interações e sequências de RNA ligadas a muitas doenças diferentes a partir de bancos de dados disponíveis.

Até agora, as drogas que têm como alvo o RNA são uma grande promessa no tratamento de doenças muito raras, que anteriormente não tinham tratamentos eficazes e existentes – como a doença de Huntington.

Também estão sendo desenvolvidos medicamentos que podem ter como alvo os RNAs e modificar ou inibir a função de certos genes, ou a produção de proteínas, incluindo aqueles responsáveis ​​por muitas doenças e sintomas.

Vários deles já foram usados ​​com sucesso no tratamento de vírus, doenças neurodegenerativas e até na medicina personalizada (tratamentos desenvolvidos especificamente para um paciente).

Drogas de interferência de RNA são outra área de pesquisa. Essas drogas silenciam um gene específico para tratar uma doença. A pesquisa sobre esses tipos de medicamentos está em andamento para muitas doenças, incluindo amiloidose (uma doença rara causada pelo acúmulo de proteínas no corpo), porfiria hepática aguda (uma doença metabólica rara) e vários tipos de câncer (incluindo câncer de pulmão).

Tem havido muito investimento na terapêutica de RNA, e o progresso tem sido rápido na última década. Com mais ensaios clínicos e aprimorando os métodos produzí-los a custos baixos e com melhor estabilidade, podemos esperar ver em breve os resultados deste trabalho – e ter toda uma nova geração de medicamentos para usar, que serão mais especializados e eficazes.

Fonte: MedicalXpress

Esta post foi modificado pela última vez em 10 de abril de 2021 12:01

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Publicado por
Rafael Rigues