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Cientistas da University of California, Riverside, nos Estados Unidos, publicaram na revista Science Advances um estudo que encontrou a primeira evidência de órgãos respiratórios sofisticados em criaturas marinhas de 450 milhões de anos.

Os trilobitas, que sobreviveram por mais de 250 milhões de anos – mais do que os dinossauros -, respiravam pelas pernas, com estruturas semelhantes a guelras penduradas em suas coxas.

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“Até agora, os cientistas compararam o ramo superior da perna trilobita com o ramo superior não respiratório dos crustáceos, mas nosso trabalho mostra, pela primeira vez, que o ramo superior funcionava como uma brânquia”, afirmou Jin-Bo Hou, aluno de doutorado em paleontologia da UCR, que liderou a pesquisa.

Fóssil de trilobita preservado em pirita. Créditos: Jin-Bo Hou/UCR
Fóssil de trilobita preservado em pirita. Créditos: Jin-Bo Hou/UCR

A descoberta é importante para ajudar a montar o quebra-cabeça da evolução animal e foi possível graças a um conjunto extremamente raro de fósseis e com ajuda da tecnologia.

“Eles foram preservados em pirita – ouro de tolo – mas é mais importante do que ouro para nós, porque é a chave para a compreensão dessas estruturas antigas”, disse Nigel Hughes, professor de geologia da UCR e co-autor do artigo.

Estudos apontam que existem mais de 22 mil espécies de trilobitas que foram descobertas, mas as partes moles das criaturas são visíveis em apenas cerca de duas dúzias.

Visão detalhada da perna de trilobita. Créditos: Jin-Bo Hou/UCR
Visão detalhada da perna de trilobita. Créditos: Jin-Bo Hou/UCR

Segundo a paleontóloga Melanie Hopkins, membro da equipe de pesquisa do Museu Americano de História Natural, um tomógrafo ajudou a criar modelos tridimensionais dessas estruturas branquiais raramente vistas: “Isso nos permitiu ver o fóssil sem ter que fazer muita perfuração e retificação na rocha que cobre o espécime. Dessa forma, poderíamos obter uma visão que seria até difícil de ver ao microscópio – estruturas anatômicas trilobitas realmente pequenas da ordem de 10 a 30 mícrons de largura”. Um cabelo humano, por exemplo, tem cerca de 100 mícrons de espessura.

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Essas espécimes foram descobertas no final de 1800, mas somente com a tecnologia atual foi possível ver como o sangue teria se filtrado através das câmaras dessas estruturas delicadas, captando oxigênio ao longo do caminho enquanto se movia. Por isso a semelhança com as guelras dos artrópodes marinhos modernos, como caranguejos e lagostas.

“No passado, havia algum debate sobre o propósito dessas estruturas porque a parte superior da perna não é um ótimo local para aparelhos respiratórios. Você pensaria que seria fácil para esses filamentos ficarem obstruídos com sedimentos onde estão. É uma questão em aberto por que eles desenvolveram a estrutura naquele local em seus corpos”, explicou Hopkins.

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