O Brasil começou a distribuição da vacina contra a Covid-19 ainda em janeiro deste ano, mas, até o momento, apenas alguns grupos prioritários têm direito ao imunizante. Além disso, algumas cidades estão com a imunização mais avançada que outras. Todos esses detalhes geram dúvidas na população. Para ajudar a responder os questionamentos mais comuns, o Olhar Digital preparou um guia com informações sobre a vacinação contra o coronavírus.

Posso tomar a vacina contra Covid-19?

O Plano Nacional de Imunizações (PNI) divide a população em grupos. A ideia é que os prioritários recebam o imunizante primeiro. São eles: idosos, quilombolas, índios, profissionais de saúde, professores, agentes de segurança pública, caminhoneiros e adultos de 18 a 59 anos com comorbidades. Esse último grupo é o maior e o mais difícil de vacinar. No total, os prioritários representam cerca de 77,3 milhões de pessoas. Até a publicação deste especial, o “vacinômetro” do Ministério da Saúde registrou aproximadamente 32,2 milhões de doses aplicadas em todo o país.

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A vacinação desses grupos muda de acordo com o estado e a cidade. São Paulo, por exemplo, vai começar imunizar pessoas com 60 anos. Profissionais de saúde que não atuam em hospitais ou que são autônomos também recebem o imunizante em muitos lugares.

Quais são as comorbidades do grupo prioritário?

De uma forma geral, pessoas com diabetes mellitus, hipertensão arterial grave, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer, síndrome de Down, anemia falciforme, cirrose hepática, HIV e obesidade grave. A vacinação de pessoas com menos de 60 anos que possuem alguma destas condições ainda não começou.

O PNI ainda vai definir uma ordem de prioridade dentro desse grupo.

Pessoas com comorbidades precisam de atestado médico para receber a vacina contra a Covid-19?

Segundo o Ministério da Saúde, o indivíduo com comorbidade deverá informar sua condição durante o pré-cadastro realizado no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI). Aqueles sem pré-cadastros poderão apresentar qualquer comprovante que demonstre pertencer a um destes grupos de risco (exames, receitas, relatório médico, prescrição médica, etc…).

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Quando vou tomar a vacina contra a Covid-19?

A intenção inicial era vacinar todos os grupos prioritários ainda no primeiro semestre de 2021, mas o Ministério da Saúde já admite a dificuldade para cumprir esse prazo devido aos atrasos na entrega das vacinas. A perspectiva é de que a vacinação prioritária vá, pelo menos, até setembro.

No segundo semestre, com mais opções de vacinas, seria possível ultrapassar a marca de 1 milhão de imunizados por dia, acelerando as vacinações. O objetivo é que todo mundo esteja vacinado no começo do primeiro semestre de 2022.

Se você faz parte de algum grupo prioritário, ou apenas deseja ter uma estimativa de quando será vacinado, o Olhar Digital indica acompanhar o cronograma no site da prefeitura da sua cidade.

Crianças e adolescentes podem tomar a vacina contra a Covid-19?

A princípio, o Ministério da Saúde informa que não tem restrições para crianças (grupo menos vulnerável ao coronavírus) e menores de 18 anos. A Anvisa, por sua vez, indica que a vacinação ocorra em pessoas maiores de 18 anos.

Os testes nessas faixas etárias ainda estão em andamento e isso torna o tema complicado. Estudos preliminares com esse grupo, no entanto, indicam que os imunizantes são seguros. O diretor médico da Sinovac, Geng Zeng, já afirmou que a CoronaVac é eficaz para crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. A vacina da Pfizer já se mostrou segura com jovens de 16 anos e agora realiza ensaios clínicos com adolescentes de 12 a 15 anos.

Apesar dos dados, nenhum país ainda começou a aplicar o imunizante em menores de 16 anos. No Brasil, a recomendação é que a imunização siga em adultos e até mesmo os menores de idade com comorbidades estão sem previsão de vacinação. Este caso deve ser avaliado quando iniciar a vacinação do grupo com doenças prévias.

Grávidas podem tomar a vacina contra a Covid-19?

Estudos clínicos que comprovem a eficácia das vacinas e sua ação a longo prazo em grávidas, lactantes e puérperas ainda não foram finalizados. Muitas profissionais de saúde que se encaixam nessa categoria, contudo, já receberam o imunizante. Por conta disso, a aplicação do imunizante em grávidas do grupo de risco é avaliada caso a caso pelo médico da gestante.

Vacinação na Creche do Batan, Rio de Janeiro RJ / Fotógrafo: André Gomes de Melo – flickr

Eu já peguei Covid-19, preciso tomar a vacina?

Pessoas que já tiveram Covid-19 devem tomar o imunizante normalmente. Os estudos indicam que a vacina pode fornecer uma imunidade duradoura contra a doença. Mas atenção: caso você esteja com sintomas da doença, a recomendação é esperar passar para não confundi-los com possíveis efeitos colaterais dos imunizantes. Ainda sim, não existem estudos que indiquem que as vacinas podem ser prejudiciais para pessoas infectadas.

Posso tomar a vacina da gripe (ou outra do calendário) e da Covid-19 juntas?

De acordo com o Ministério da Saúde, recomenda-se que as vacinas para Covid-19 sejam tomadas isoladamente, com um intervalo mínimo de 14 dias entre ela e outros imunizantes do calendário vacinal.

Para os indivíduos que forem contemplados nas campanhas de vacinação contra a Covid-19 e contra a gripe ao mesmo tempo, o ex-presidente e fundador da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, indica tomar o imunizante contra o coronavírus antes. “Primeiro, porque a doença mais grave é a Covid-19. Além disso, esse imunizante é mais escasso”, explica. A vacina da gripe deve ser recebida pelo menos duas semanas depois que o paciente tomar a segunda dose contra a Covid-19.

Posso me vacinar contra a Covid-19 sem o cartão do SUS?

O Ministério da Saúde diz que “recomenda o uso de CNS ou CPF para a vacinação. É importante que o indivíduo compareça aos postos de vacinação portando documentos e, em caso de segunda dose, o comprovante da primeira dose, seja ele impresso (comprovante de vacina/carteirinha de vacina) ou eletrônico, por meio do app ConecteSUS“.

Quais as contraindicações da vacina contra a Covid-19?

A contraindicação que o Ministério da Saúde divulga em seu site aborda os imunizantes de forma genérica. A pasta afirma que, tanto para os grupos prioritários quanto para a população em geral, a contraindicação é a mesma. “A vacina não é recomendada à indivíduos com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer dos excipientes do imunizante ou até mesmo para aquelas pessoas que apresentaram uma reação anafilática confirmada a uma dose anterior a da mesma vacina contra a Covid-19”.

A bula da CoronaVac, entretanto, cita outras condições. “A vacina não é indicada para quem já teve reações alérgicas a algum desses produtos: hidróxido de alumínio, hidrogenofosfato dissódico, di-hidrogenofosfato de sódio, cloreto de sódio e hidróxido de sódio”.

Já a CoviShield (AstraZeneca), também aplicada no Brasil, não é recomendada para quem teve alergia à cloridrato de L-histidina monoidratado, cloreto de magnésio hexaidratado, polissorbato 80, etanol, sacarose, cloreto de sódio e edetato dissódico di-hidratado. Vale ressaltar que o imunizante da AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, enfrenta problemas na Europa, com a Dinamarca sendo o primeiro país do continente a retirá-la de seu plano de imunização.

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