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Anunciada em setembro de 2020, a compra da designer britânica de chipsets ARM Holdings pela Nvidia pode estar longe de ser concretizada. Isso porque nesta segunda-feira (19), o governo do Reino Unido resolveu abrir uma nova investigação ao alegar que a aquisição, avaliada em US$ 40 bilhões, pode apresentar riscos à segurança nacional.

“Como uma próxima etapa e para ajudar-me a reunir informações relevantes, a autoridade de concorrência independente do Reino Unido [CMA] irá preparar um relatório sobre as implicações da transação, que ajudará a informar quaisquer decisões futuras”, afirmou Oliver Dowden, ministro da Secretaria Digital britânica.

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A ARM desenvolve arquitetura de processadores para computadores pessoais e servidores corporativos. Inclusive, os designs de seus produtos alimentam milhões de smartphones e outros dispositivos.

O problema é que os semicondutores desenvolvidos pela ARM também sustentam a infraestrutura crítica do Reino Unido e estão presentes em tecnologias ligadas à defesa e à segurança nacional do país. Isso causou questionamentos entre a comunidade de segurança da nação, o que levou à intervenção do governo britânico na aquisição.

Fachada da empresa ARM
Aquisição da ARM pela Nvidia será investigada por órgão britânico. Foto: Sundry Photography/Shutterstock

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Outras motivações

Não bastassem as possíveis ameaças à segurança nacional do Reino Unido, a aquisição da ARM pela Nvidia também deverá ser investigada por questões antitruste.

Embora a Nvidia tenha admitido que manterá a neutralidade da ARM, há um receio de que a designer de processadores seja orientada a aumentar preços ou dificultar a entrega de seus produtos para concorrentes da nova proprietária. Em tempos de escassez de chips por conta da pandemia de coronavírus, isso seria uma péssima notícia para o mercado.

De acordo com o governo, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido vai avaliar questões envolvendo a concorrência, jurisdição e impacto à segurança nacional. Um novo relatório deverá ser apresentado no dia 30 de julho deste ano.

Após isso, Dowden deverá optar por concluir a aquisição ou realizar uma nova investigação mais aprofundada.

Em resposta às acusações, a Nvidia afirmou não acreditar que o acordo represente quaisquer riscos à segurança nacional do Reino Unido.

“Continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades britânicas, como temos feito desde o anúncio deste acordo”, afirmou a companhia.

Fonte: Reuters