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A PicPay está muito próxima de tornar-se mais uma empresa de pagamentos brasileira a entrar na bolsa de valores. E não será no Brasil. Na última quarta-feira (21), a carteira digital, controlada pela J&F, protocolou o pedido para realizar o seu IPO — oferta pública inicial de ações — na Nasdaq, bolsa de valores dos Estados Unidos que reúne empresas de tecnologia.

Segundo o documento enviado à US Securities and Exchange Comission (SEC), a PicPay afirma que o recurso captado será usado para fusões e novas aquisições com o intuito de fortalecer a companhia na acirrada concorrência do setor de pagamentos brasileiro. No entanto, não foram divulgados o volume de recursos a ser captado nem a quantidade de papéis que será ofertada.

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Sabe-se apenas que o prospecto da operação terá ações de classe A — já que as ações de classe B, com supervoto proporcional ao de dez ações de Classe A, não serão negociadas em Bolsa. BTG Pactual, Bradesco BBI, Santander e Barclays serão os bancos responsáveis por realizar a operação.

Quando chegar à Nasdaq, a PicPay vai se juntar a Stone e PagSeguro, outras duas empresas de pagamento do Brasil que também abriram capital na bolsa dos Estados Unidos. Atualmente, a Stone vale US$ 20,7 bilhões na Nasdaq, enquanto a PagSeguro é avaliada em US$ 14,7 bilhões.

Quando chegar à Nasdaq, PicPay vai se juntar a Stone e PagSeguro. Foto: rblfmr/Shutterstock

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Ainda de acordo com o documento entregue à SEC, a PicPay estima que o prejuízo do primeiro trimestre de 2021 deva ficar entre R$ 400 milhões e R$ 410 milhões (valor quase sete vezes maior do que o reportado em 2020). Inclusive, os gastos devem seguir em alta neste ano, já que a estratégia da companhia é aumentar a rede de clientes e o portfólio de produtos.

Apesar disso, a perspectiva é de crescimento. Isso porque a carteira digital espera que o volume total de pagamentos capturado em seus produtos nos três primeiros meses de 2021 — que inclui pagamentos feitos por meio da carteira digital, transferências e saques — cresça 213,5% em um ano, chegando a R$ 11,6 bilhões.

Além disso, por ser o segundo app de fintechs brasileiras mais usado no Brasil, segundo relatório do Bank of America divulgado em fevereiro, a expectativa é de que a base de comerciantes cadastrados no PicPay fique em 1,3 milhão, o que representa uma alta de 8,3% em relação ao trimestre anterior.

Se confirmados, os números representarão um passo importante para a PicPay rivalizar a concorrência com Cielo (de Bradesco e Banco do Brasil) e Rede (do Itaú Unibanco), por exemplo. E a abertura de capital na Nasdaq certamente dará mais poder de fogo para a empresa crescer no setor de pagamentos brasileiro.

Fonte: Estadão