Pesquisadores da universidade ITMO na Rússia desenvolveram um novo método para produzir cores em superfícies metálicas sem qualquer tipo de pigmento. Um “pincel laser” é usado para gravar padrões microscópicos sobre elas, alterando a forma como a luz que incide é refletida e interpretada por nossos olhos.

A técnica é um exemplo de “cor estrutural”, algo que também existe na natureza: as asas da borboleta Morpho Menelaus, também conhecida como “Blue Morpho” não são azuis: elas parecem azuis aos nossos olhos por causa da forma como minúsculas escamas em sua superfície refletem a luz azul, enquanto absorvem outras frequências. 

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Da mesma forma, na técnica do ITMO um laser grava minúsculos padrões na superfície do metal e também controla a espessura da camada de oxidação que se forma quando ele é exposto ao oxigênio do ar. Combinando diferentes espessuras e padrões, os cientistas conseguiram produzir nove cores distintas.

Exempos de imagens produzidas com o pincel laser de Andreeva. Nas imagens de baixo, note como algumas partes amarelas foram "apagadas" e pintadas com outros tons. Imagem: Yaroslava Andreeva
Exemplos de imagens produzidas com a técnica de Andreeva. Nas imagens de baixo, note como algumas partes amarelas foram “apagadas” e pintadas com outros tons. Imagem: Yaroslava Andreeva

“Dependendo da espessura da camada, ondas de diferentes frequências sofrem interferência e vemos diferentes cores”, disse Yaroslava Andreeva, coautora do estudo, ao site Ars Technica. “Aumentando a espessura, podemos ver amarelo, laranja, vermelho, roxo e azul em sequência”.

A espessura da camada é ligada à velocidade com que o laser passa sobre o metal. Velocidades maiores aquecem menos o metal e produzem camadas mais finas, e menores aumentam a temperatura e resultam em camadas mais espessas. O processo é totalmente reversível: cores podem ser alteradas ou mesmo apagadas, devolvendo o metal à aparência original.

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“Queríamos oferecer mais do que uma ampla paleta de cores estáveis”, disse Galina Odintsova. “Por isso desenvolvemos uma forma de criar uma ferramenta conveniente para aplicá-las, como o pincel de um artista. Aumentando o aquecimento causado pelo laser ao ponto de criar evaporação do metal, nossas ‘pinceladas’ são reversíveis e muito mais eficientes. Nossa velocidade de gravação é 10 vezes maior do que o reportado anteriormente”.

Para demonstrar sua técnica, Andreeva e sua equipe recriaram várias obras de arte em escala reduzida, incluindo uma reinterpretação de “Starry Night”, de Vincent Van Gogh. “Esperamos que a pintura a laser atraia a atenção de artistas modernos e leve à criação de um tipo completamente novo de arte”, disse a pesquisadora.

Fonte: Ars Technica