O Oceano Ártico é uma das principais fontes de estabilidade climática global. Mas, o mar no extremo norte do planeta Terra vem sofrendo cada vez mais com o derretimento do gelo presente no local. Agora, finalmente, cientistas descobriram uma das maiores responsáveis pelo problema: bombas de calor.

Essas chamadas bombas de calor foram descobertas em um estudo da instituição de oceanografia da Universidade da Califórnia em San Diego. Elas são formadas por água quente que entra, do Oceano Pacífico, através do Estreito de Bering. A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications.

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Primeiro, os pesquisadores observaram que o derretimento do gelo no Ártico acontece em uma velocidade maior do que os previstos em modelos. Através do programa de dinâmica estratificada do Ártico (Soda, na sigla em inglês), do Escritório de Pesquisa Naval, eles usaram uma combinação de instrumentos, observações de satélites e dados flutuantes para entender as complicações.

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Na pesquisa, os cientistas mostraram que as “plumas” de água quente aceleram o derretimento por baixo do gelo. Para entender isso é preciso primeiro compreender que o Oceano Ártico possui uma característica um pouco distinta: as camadas densas de águas marítimas são controladas mais pela salinidade do que pela temperatura.

Assim, rios e gelo derretido formam uma camada de água doce e fria na superfície do oceano. A maioria dos oceanos, contudo, tem a água quente e mais leve perto da superfície, enquanto as mais densas e frios ficam no fundo.

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O problema no mar do extremo norte chega com a água quente. O volume quente, salgado e denso do Pacífico entra “mergulhando”, ou afundando, sob a superfície do Ártico. A mistura gerada por essa pluma atrai nutrientes para a superfície e estimula o crescimento do fitoplâncton.

Os bolsões de água muito quente se formam sob a superfície, por meses ou até anos, e circulam em redemoinhos, girando enquanto interagem com as águas ao redor. Esses redemoinhos receberam o apelido de bombas de calor. Eles vão girando pelo Ártico e acelerando o derretimento do gelo daquele oceano, a partir de baixo e, devagar, espalham o calor para cima.

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No vídeo abaixo, em inglês, é possível ver os modelos que mostram como as bombas de calor funcionam:

Além de mostrar que as bombas de calor são um dos mecanismos que estão mudando o Oceano Ártico mais rápido do que qualquer outro lugar do planeta, os resultados do estudo adicionam evidências de que o gelo do local pode desaparecer em grandes pedaços anualmente.

“O ritmo de aceleração de derretimento do gelo no Ártico tem sido difícil de prever com precisão, em parte por causa de todos os feedbacks locais complexos entre o gelo, o oceano e a atmosfera. Este trabalho mostra o grande papel no aquecimento que a água do oceano desempenha como parte desses feedbacks”, disse Jennifer MacKinnon, oceanógrafa física que liderou o artigo.

Vinte e nove cientistas se envolveram na pesquisa. Além dos integrantes da Universidade da Califórnia em San Diego, colaboradores do Reino Unido e da Alemanha auxiliaram no trabalho.

Via: Phys.org