A maior parte do meu conhecimento sobre baseball veio dos diversos filmes sobre o esporte que já vi – incluindo aí clássicos como ‘Campo dos Sonhos’ (1989) e ‘Uma Equipe Muito Especial’ (1992). Ou seja, nada de entender realmente o esporte. Em 2017, durante uma viagem a trabalho aos Estados Unidos, pude ir a um jogo do San Diego Padres numa noite de folga. Já com um pouco mais de conhecimento, me diverti bastante – mas ainda longe de ser um conhecedor do “passatempo da América”.

Por isso, encarei a tarefa de fazer um review de ‘MLB The Show 21’ como um desafio especial. Um jogo novo, de um esporte que eu desconheço não só equipes e atletas, como boa parte das regras básicas. Baseball não é um esporte popular no Brasil, então seu lançamento seria algo bem direcionado à um nicho, mas a disponibilidade de ‘MLB The Show 21’ no Game Pass do Xbox pode fazer com que ele alcance um público muito maior – e tão estreante quanto eu.

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Mergulhei de cabeça no ‘MLB The Show 21’. Começando, claro, pelo tutorial do jogo – que nos é graciosamente oferecido no primeiro login. Como não poderia deixar de ser, joguei sempre na dificuldade mais baixa oferecida pelo game, o que se provou um tremendo desafio mesmo assim, porque ‘MLB’ possui fases bem distintas que se alternam durante uma partida, que possuem esquemas de controle diferentes. E eu tinha que aprender tudo do zero.

Em qualquer momento de um jogo de baseball, as equipes se alternam entre ataque e defesa. O time que está rebatendo está atacando, o time que está lançando está defendendo. Em linhas gerais e muito, muito resumidamente, o rebatedor tem que jogar a bola longe o suficiente para percorrer as quatro bases do campo, e assim ganhar um ponto. Cada partida possui nove entradas – o tempo e que um time alterna entre ataque e defesa.

Então meu primeiro passo foi aprender a rebater. ‘MLB The Show 21’ te dá três opções de controle, que variam em complexidade (casual, simulação e competitivo) e permitem jogadas mais ou menos precisas.  Adotei a mais simples: com o analógico esquerdo você controla a direção da rebatida, e os botões definem o tipo. O segredo é calcular bem o tempo da bola e perceber se o arremesso será feito dentro de um quadrado que delimita sua validade. Após duas horas de treino, já estava rebatendo minhas primeiras bolas (a maior parte para fora).

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Se você tiver a felicidade de rebater uma bola numa direção mais ou menos certa, entramos em outra daquelas fases que falei antes. A câmera sai de trás do rebatedor e se abre para o campo inteiro. Seu objetivo agora é correr com o rebatedor para as bases, antes que a outra equipe recupere a bola. É aí que percebemos que ‘MLB The Show’ é um jogo que exige muito mais estratégia do que habilidade no controle, como é no futebol, por exemplo.

MLB The Show 21
Quando você consegue rebater, meu amigo… Aí é “barata voa”, corre todo mundo. Imagem: SIE San Diego Studio/Divulgação

Com os botões você controla quem deve correr para cada base – ao mesmo tempo em que presta atenção em tudo que está rolando no campo. É sério, tem muita coisa que você tem que ficar de olho para tomar a decisão certa. Uma coisa que ajuda é que as bases têm a mesma disposição que os botões (X, O, Triângulo e Quadrado, no PlayStation, e A, B, Y e X no Xbox). É importante conhecer seu time também, já que cada rebatedor tem uma velocidade, então às vezes é mais vantagem não mandar que ele corra de vez.

O “home run” é quando você manda a bola para fora do campo e tem toda liberdade para tomar as bases. É só festa, rola fogos de artifício e tudo. Se você tiver outros rebatedores ocupando as bases, melhor ainda. Dá para fazer até quatro pontos de uma vez só com um “home run”. Nas minhas jogadas até consegui alguns. Como? Não sei.  

Na hora de defender, muda tudo. Agora é a sua vez de arremessar: com o analógico esquerdo você controla a direção da bola, e os botões definem o tipo de arremesso. Uma novidade do ‘MLB The Show 21’ é que com o analógico direito você faz um movimento de lançamento que determina o seu sucesso na ação. Isso permite um controle fino do arremesso. A ideia é acertar o tal quadrado imaginário e/ou enganar o rebatedor para que ele tente – e erre – a rebatida. Se você for bom, essa parte do jogo fica até meio chata, enquanto você elimina os rebatedores adversários um a um.

Se a bola for rebatida, aí muda tudo outra vez.  A câmera sai de trás do lançador e volta para o campo inteiro. Seu objetivo agora é ainda mais complicado: pegar a bola (se for antes dela tocar o solo, melhor) e arremessá-la para a base que tiver mais ameaçada pelo rebatedor adversário. Mais uma vez, os botões representam as bases, e você tem que ficar de olho no mapa do campo, e na velocidade dos adversários, para fazer os passes corretos e evitar levar um ponto.

MLB The Show 21
O arremesso é 50% malandragem e 50% habilidade no polegar. Imagem: SIE San Diego Studio/Divulgação

Com dois dias de jogo, eu já tinha dominado esse básico, e pude me aventurar nos outros modos de ‘MLB The Show 21’. E tem muitos deles. Além de reproduzir a temporada da Major League norte-americana, você pode criar um jogador individual e controlar sua carreira no ‘Road to The Show’, desde a divisão Double A (a Série B deles) até o estrelato. Para não ficar monótono, seu atleta é mais versátil: joga na defesa e no ataque ao mesmo tempo.

Já o modo Diamond Dynasty lembra o Ultimate Team, do Fifa, e foi o que eu achei mais divertido. Você monta seu time e compra pacotes de cards que vão lhe dar jogadores e acessórios. Tem atletas de todas as eras do baseball, então pude escalar no meu time craques que até eu, que não sei nada do esporte, conheço, como Babe Ruth e Jackie Robinson. ‘MLB The Show 21’ te dá tanta liberdade que até o estádio da sua equipe é possível criar.

MLB The Show 21. Imagem: SIE San Diego Studio/Divulgação
Faça seu “caldeirão” no ‘MLB The Show 21’. Imagem: SIE San Diego Studio/Divulgação

Trazer o jogo para o Brasil e torná-lo mais acessível pode, quem sabe, ajudar na popularidade do esporte como um todo.  A SIE San Diego Studio fez um trabalho espetacular no game, tanto em termos de jogabilidade quanto em gráficos e captura de movimento dos atletas. A experiência é tão agradável que, para além da minha obrigação de jogar para fazer esse review, me vi levando o Recife Timbus (meu time criado) à frente no campeonato só por lazer.

‘MLB The Show 21’ está disponível para compra no PlayStation 4 e PlayStation 5, e incluso na assinatura do Game Pass no Xbox One e Xbox Series X|S. A cópia que jogamos, cedida pela Sony, foi no PS4.