O número cada vez mais crescente de satélites operacionais de lixo espacial na órbita da Terra está deixando o nosso céu mais brilhante, ao mesmo tempo que bloqueia nossa visão do universo. Isso pode significar que o limite estabelecido pela União Astronômica Internacional (IAU) para uma boa observação do cosmos foi ultrapassado. 

Cada objeto colocado em órbita reflete uma quantidade proporcional de luz solar de volta para a Terra. Como já colocamos dezenas de milhões de objetos para fora do planeta, esse coletivo causou um aumento de 10% na iluminação do céu noturno. Todo esse brilho acaba atrapalhando a observação de pontos distantes da nossa galáxia e de outras para além da heliosfera.

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“Uma vez que existem objetos orbitando a Terra em todos os tipos de inclinações orbitais, realmente nenhum lugar está salvo disso”, declarou o diretor de políticas públicas da Associação Internacional para o Céu Noturno, John Barentine, ao The Washington Post

Megaconstelações de satélites como a da Starlink preocupam especialistas. Crédito: SpaceX

Uma das grandes preocupações dos astrônomos são as megaconstelações de satélites para internet rápida, como é o caso da Starlink, da SpaceX. A empresa de Elon Musk já colocou mais de 1.300 satélites em órbita desde 2018 e planeja lançar ainda mais algumas dezenas de outros, assim como a Amazon e a OneWeb, que pretendeu ter suas próprias constelações no futuro. 

Isso vai aumentar substancialmente o número de satélites operacionais em órbita, que, atualmente, é de cerca de 3.300. Esses dispositivos são usados em telecomunicações, navegação, monitoramento e uma série de outras áreas. 

Lixo espacial

Quantidade de lixo na órbita terrestre pode ter efeitos parecidos com o da poluição luminosa no solo.

Além dos satélites, uma estimativa da Agência Espacial Europeia aponta para a existência de dezenas de milhares de pedaços gigantescos de detritos espaciais orbitando a Terra. Esse número sobe para milhões de contarmos os pequenos objetos, que somados têm uma massa de em torno de 6 mil toneladas. 

Além do céu noturno, cada objeto orbital adicionado também contribui para piorar esse cenário, uma vez que o Sol reflete em dia superfície e se espalha pela atmosfera. Esse efeito é semelhante ao da poluição luminosa, que é proveniente de lâmpadas e outras fontes de luz noturna que eliminam o contraste visual do céu noturno e dificulta a visualização de alvos astronômicos. 

Com informações do Futurism e The Washington Post

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