OMS tem “confiança muito baixa” em dados sobre efeitos colaterais da vacina chinesa da Sinopharm

Lucas Soares05/05/2021 12h56
OMS tem
Imagem: Steve Heap (Shutterstock)
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou preocupações e disse existir uma “confiança muito baixa” nos dados fornecidos pela chinesa Sinopharm sobre os efeitos colaterais de seu imunizante contra a Covid-19. No entanto, a entidade disse que acredita na capacidade da vacina no combate ao vírus.

O relatório dos especialistas foi obtido pela agência Reuters e é uma das etapas de análise da recomendação do imunizante. Oficialmente, a OMS ainda não emitiu um posicionamento sobre a vacina da Sinopharm, a expectativa é de que isso aconteça ainda nessa semana.

“Temos uma confiança muito baixa na qualidade dos indícios de que o risco de eventos adversos raros em indivíduos com comorbidades ou estados de saúde que aumentam o risco de Covid-19 grave após uma ou duas doses da BBIBP-CorV é baixo”, diz um trecho do documento. Outra preocupação é com os grupos de risco. “Uma análise de segurança entre participantes com comorbidades (foi) limitada pelo número baixo de participantes com comorbidades (que não obesidade) no teste de estágio avançado”, explica a análise.

OMS e a vacina da Sinopharm

Apesar disso, a OMS diz não duvidar da eficácia do imunizante da Sinopharm. “Estamos muito confiantes de que duas doses da BBIBP-CorV são eficazes na prevenção de Covid-19 confirmada por (exame) de PCR em adultos (de 18-59 anos)”, diz o documento.

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A vacina já é usada em 45 países e foi aplicada em cerca de 65 milhões de pessoas. Os testes foram feitos na China, no Egito, nos Emirados Árabes, no Barein e na Jordânia. A eficácia apontada foi de 78,1%.

A análise é um aconselhamento de um grupo técnico da OMS, mas não um posicionamento oficial da entidade sobre a vacina da Sinopharm. O órgão ainda deve dar o parecer final sobre a aprovação em uso emergencial. Isso abriria espaço para o imunizante ser incluso na iniciativa Covax.

Lucas Soares
Editor(a)

Lucas Soares é jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atualmente é editor de ciência e espaço do Olhar Digital.