‘Mario Kart’ é um dos jogos de maior sucesso da história da indústria, e não é para menos, a ideia de juntar alguns dos personagens mais queridos, como o Mario, Luigi, Yoshi e o vilão Bowser correndo com carrinhos meio que não tinha como dar errado. Mas o que os jogos da série que começou no SNES e está firme e forte no Switch pode nos ensinar sobre redução da pobreza e sustentabilidade? 

Em um artigo publicado na plataforma The Brink, da Universidade de Boston, um pesquisador defende que o clássico game de “corrida maluca” e todos os seus tokens, como os quadrados flutuantes que aparecem na tela ou as cascas de banana que jogam os competidores para fora da pista podem ensinar bastante sobre temas importantes. 

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“Tem sido divertido desde que eu era criança, é divertido para meus filhos, em parte porque qualquer um pode jogar”, a frase é do professor assistente de Terra e Meio Ambiente da Universidade de Boston, Andrew Bell, autor do artigo. Bell acredita que os princípios do jogo podem servir de objeto para a criação de programas sociais e econômicos para agricultores de baixa renda.

Uma mãe e uma filha agricultoras no Camboja. Crédito: Pixinio

Um exemplo disso é o fato de que o jogo é projetado para que você nunca deixe a corrida, mesmo que saia para fora da pista. “A agricultura é uma coisa terrível de se fazer se você não quer ser um agricultor”, diz o especialista. “Você tem que ser um empresário, você tem que ser um agrônomo, ter um monte de trabalho”, completa o professor. 

O problema

Andrew Bell defende também que muitos fazendeiros ao redor do mundo, como no Paquistão, Bangladesh, Camboja e Malauí, na Ásia, e outros no sul da África, que têm como característica serem locais com baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), só cuidam das terras por terem recebido elas como herança, mas não fazem o que gostam ou sabem. 

A partir daí, o professor desenvolveu algumas propostas, que usam o jogo como base, e podem ao mesmo tempo que aumentam as práticas sustentáveis nessas áreas rurais, ajudar na redução da pobreza nesses locais. Como exemplo, ele usa os “power-ups” do game, onde os melhores são dados aos jogadores que ficam para trás na corrida, dando a eles a oportunidade de melhorar. 

Enquanto isso, os jogadores que estão na frente não recebem esses mesmos impulsos e só conseguem alguns poderes mais fracos, que não aumentam suas vantagens a ponto de tirar as chances dos demais. De acordo com Bell, esse princípio de incentivo é o que mantém o jogo divertido e interessante, onde todos sempre têm chances de vencer. 

Possíveis soluções 

Um dos planos propostos pelo professor consiste no estabelecimento de um programa em que um terceiro, como uma hidrelétrica, pagaria agricultores para que eles adotassem práticas agrícolas que prevenissem a erosão. Em tese, isso permitiria a construção de uma barragem para fornecer eletricidade naquela localidade. 

Esse sistema já existe em alguns países e é chamado de Pagamentos por Serviços de Ecossistema (PSA, na sigla em inglês), mas é extremamente complexo, diz Bell. Contudo, teve relativo sucesso nos locais em que foi implantado, tendo beneficiado os agricultores e o meio ambiente. 

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Porém, uma dificuldade importante nesse processo é conseguir conectar empresas dispostas a pagar por esses serviços de ecossistema e agricultores que queiram mudar suas práticas agrícolas. Porém, onde o PSA foi adotado, quanto mais pessoas participaram dele, mais pessoas se sentiram tentadas a participar também, um conceito chamado de “crowding in” na análise de Andrew Bell. 

Outro obstáculo é descobrir como encaminhar a assistência para as pessoas necessitadas, algo que vem sendo superado com o crescimento da inclusão digital proporcionada pela popularização dos smartphones

“O ethos elástico de ‘Mario Kart’ é atingir aqueles que estão atrás com os itens que melhor os ajudem a diminuir sua diferença – seus próprios ‘cogumelos dourados’”, escreveu Bell no artigo. Para ele: “Melhorar a gestão ambiental e, ao mesmo tempo, aliviar a pobreza exige que os pesquisadores e tomadores de decisão considerem desde o início, dentro de seu contexto único e descubram em geral, o que o cogumelo dourado pode ser”. 

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