A Fórmula E, principal categoria de carros elétricos de corrida, está se preparando para o Grande Prêmio de Mônaco, que acontece neste fim de semana. Não é a primeira vez que os monopostos correrão no tradicional palco do automobilismo, mas 2021 traz um ingrediente diferente: pilotos e carros percorrerão a versão completa da pista de corridas mais famosa do mundo.

O evento será uma oportunidade única para compararmos os desempenhos dos carros de Fórmula E e de Fórmula 1 no mesmo traçado, em condições iguais. As corridas anteriores da categoria elétrica cortavam quase metade da pista – em vez de subir a colina ao redor do cassino e descer pelo túnel, eles viraram à direita após a reta de largada e já saíam na região da marina.

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O brasileiro Sérgio Sette Câmara, da Dragon Penske Autosport, conhece o circuito dos seus tempos de Fórmula 2, mas suas melhores lembranças estão associadas a outro piloto. “Lógico que é uma pista especial para todos os pilotos. No meu caso particularmente, sendo um piloto brasileiro, a gente escuta desde muito pequeno histórias do Senna, e de outros pilotos que fizeram corridas históricas aqui, então tem um significado especial para gente”, disse.

Para o Mônaco E-Prix, a primeira curva da pista será refeita, retornando ao layout original de 1929. Também houve algumas mudanças para a chicane após o túnel, que deve oferecer uma velocidade de saída menor. Espera-se que carros da Fórmula E sejam mais lentos do que os da Fórmula 1, o que pode significar mais ultrapassagens durante a corrida.

 “Todo mundo sabe que a pole position em Mônaco é muito importante, porque é uma corrida onde é difícil ultrapassar. O grid de saída é geralmente como acaba terminando a corrida. Mas esse não é tanto o caso na Fórmula E, porque o carro da Fórmula E permite mais ultrapassagens. A gente consegue acompanhar mais próximo o outro piloto, dá para ultrapassar, o carro aceita algum tipo de contato. A qualificação continua sendo muito importante, mas acredito que a gente vai ver muito mais ultrapassagens do que nas corridas de Fórmula 1”, avalia Sette Câmara.

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Fórmula E x Fórmula 1

Apesar do avanço no desenvolvimento dos carros elétricos, os monopostos da principal categoria do automobilismo mundial ainda são imbatíveis. Além de orçamentos astronômicos, os carros da Fórmula 1 consomem cerca de 100 kg de combustível em uma corrida, o que equivale a quase 900 kWh de energia. Por outro lado, os veículos da Fórmula E possuem bateria de 54 kWh.

Além disso, os carros do E-Prix têm chassi, carroceria e unidade armazenamento de energia iguais. A Fórmula E também funciona com pneus de rua em vez de slicks, que podem representar vários segundos a mais por volta – especialmente em um circuito como Mônaco, onde a aderência mecânica é fundamental.

Nyck de Vries, Mercedes-EQ Formula E Team - 1
Nyck de Vries, da Mercedes Benz EQ, lidera corrida à frente de Alexander Sims, da Mahindra Racing, M7Electro. Imagem: ABB FIA Fómula E/Divulgação

A disputa pode ser mais equilibrada no Grande Prêmio de Mônaco de 2023, quando os futuros carros de Fórmula E Gen 3 estarão na pista. Desenvolvidos pela montadora francesa DS Automobiles, os modelos serão mais leves e 40% mais potentes, podendo chegar até aos 350 kW na configuração de Qualificação e aos 300 kW na de Corrida.

O E-Prix de Mônaco acontecerá neste sábado, 8 de maio, com o habitual cronograma da Fórmula E, que inclui treinos, classificação e corridas no mesmo dia. Será a sétima rodada da 7ª Temporada e Nyck de Vries chega como líder do campeonato com 57 pontos, seguido por Stoffel Vandoorne, com 48, ambos pilotos da Mercedes-EQ Fórmula E Team, também líder entre os fabricantes.

Via: Electrek