Uma pesquisa realizada pela Universidade de Göttingen, na Alemanha, estudou a fundo o Ramisyllis multicaudata, uma criatura marinha que foi descoberta na Austrália em 2006. O estudo descobriu que o verme que é da mesma família das minhocas e possui um corpo ramificado que permite que sua cabeça dê lugar a vários corpos, gerando centenas de ânus diferentes.

A criatura marinha é uma espécie de verme que vive dentro de esponjas localizadas na costa australiana. Segundo o estudo, o corpo do Ramisyllis multicaudata pode se dividir como galhos e, quando isso acontece, seus órgãos também são divididos. Ou seja, a ramificação de trato digestivo leva a criação de centenas de ânus diferentes.

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Os Ramisyllis multicaudata vivem dentro dos canais internos das Petrosia hoeksemai.
Créditos: iStock

Segundo a doutora Maite Aguado, coautora do estudo publicado no Journal of Morphology, a criatura pode criar até mil ramificações. “O animal é um verme marinho, mas em vez de ter um corpo como um tubo ou cilindro com uma parte anterior e uma extremidade posterior, ele tem uma cabeça, mas vários ramos posteriores”, completou.

Maite Aguado afirmou que a pesquisa conseguiu contar mais de 500 ramos em uma espécime, e que o animal tem uma única cabeça que se encontra dentro da esponja, que é o local mais seguro. Os ramos do corpo do verme se espalham por canais internos da esponja antes de emergir nos poros externos e explorar a superfície.

A responsável pelo estudo informou que o corpo da criatura marinha é perfeitamente adaptado para viver dentro dessas esponjas, pois, se saísse completamente delas, teria sérios problemas com potenciais predadores, devido as ramificações.

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“Os segmentos posteriores ficam cheios de gametas (espermatozoides ou óvulos), eles desenvolvem pás flutuantes e surge uma nova ‘cabeça’ com olhos e gânglios nervosos. Quando este ‘stolon’ (conexões horizontais entre os organismos, conhecidas como ‘estolões’) está pronto, ele se desprende da extremidade anterior e nada para encontrar outros stolons do sexo oposto”, afirmou Aguado sobre a reprodução do verme

A pesquisadora afirma que ainda existem muitas dúvidas sobre o animal, como, por exemplo, a maneira que ele se alimenta e se seus diversos intestinos são funcionais ou não. Além de questionamentos sobre o funcionamento da circulação sanguínea e das terminações nervosas nessas diversas ramificações.

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