Um verme subaquático considerado estranho até mesmo por biólogos marinhos vive dentro dos canais internos de esponjas do mar. Com o nome oficial de Ramisyllis multicaudata, essa é uma das únicas espécies de anelídeos, mesma família das minhocas, que tem um corpo ramificado como uma árvore, o que inclui uma cabeça e múltiplos membros, que lembram galhos e ramos. 

Uma nova pesquisa publicada no Journal of Morphology respondeu algumas questões sobre esse animal bastante exótico. O estudo foi liderado por acadêmicos das universidades de Göttingen, na Alemanha, e Madrid, na Espanha, que estudaram esse e outros vermes que vivem em esponjas do mar da região de Darwin, na Austrália

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Na pesquisa, os biólogos descobriram que o Ramisyllis multicaudata é capaz de dividir seus órgãos internos quando seu corpo se divide. Com isso, são criados novos ramos para seus corpos. Os vermes desenvolvem pontes musculares de um tipo que ainda não havia sido visto em outros animais, o que possibilita ao verme criar novos ramos mesmo quando adulto. 

Ainda mais estranho

Os Ramisyllis multicaudata vivem dentro dos canais internos das Petrosia hoeksemai. Crédito: iStock

A reprodução do Ramisyllis multicaudata se dá com o uso de estolões, uma espécie de conexão horizontal entre organismos. Os estolões dessa espécie em específico possuem olhos próprios e podem formar até um novo cérebro, o que possibilita que eles naveguem pelos ambientes mesmo após se separar do corpo do verme. 

Animais com corpos ramificados são bastante raros, com apenas uma outra espécie, também um verme, tendo essas características. Essa espécie foi descoberta em 1879 e tem um parentesco com o Ramisyllis multicaudata. No entanto, ainda existem algumas perguntas acerca desse verme exótico, como explica uma das autoras do estudo, Maite Aguado, ao site Salon

“Este estudo concluiu que o intestino desses animais poderia ser funcional, mas nenhum vestígio de comida foi visto dentro deles e por isso ainda é um mistério como eles podem alimentar seus enormes corpos ramificados”. Além disso, os pesquisadores ainda querem entender como a circulação sanguínea e os impulsos nervosos são afetados pela ramificação de seu corpo. 

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