Entre as empresas selecionadas para realizar lançamentos de veículos espaciais não governamentais orbitais e suborbitais no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, está a Virgin Orbit. A companhia do bilionário Richard Brason usa um Boeing 747 modificado para lançar foguetes, o LauncherOne.

O anúncio foi feito pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em conjunto com  Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo CLA, no dia 28 de abril. Além da Virgin Orbit, outras duas empresas norte-americanas, a Hyperion e a Orion AST, e a canadense C6 Launch, seguem para a fase de negociação contratual junto à Aeronáutica.

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“Após a ratificação do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas pelo Congresso Nacional, este é mais um grande passo histórico para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro, com o objetivo de tornar o espaçoporto de Alcântara uma referência internacional, para lançamentos de vários países”, disse o presidente da AEB, Carlos Moura.

Ainda de acordo com Moura, os contratos com as empresas devem ser assinados até o final de 2021. A Virgin Orbit vai utilizar a pista de 2,6 quilômetros da base área, sem qualquer infraestrutura especial necessária para seus foguetes lançados de um avião em voo, explicou a companhia.

O LauncherOne funciona como plataforma de lançamento, tendo o primeiro estágio totalmente reutilizável. Ele pode voar ainda centenas de quilômetros antes de lançar foguetes diretamente acima do equador ou em outros locais otimizados para cada missão individual.

Centro de Lançamento de Alcântara, FAB
Alcântara fica a cerca de 100 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão. Imagem: Bianca Viol/FAB

Por ficar a apenas 2º18′ da Linha do Equador, a Virgin Orbit afirma que o CLA vai se tornar um dos únicos espaçoportos continentais do mundo capaz de atingir qualquer inclinação orbital. O primeiro voo do LauncherOne em Alcântara vai transformar o Centro de Lançamento no segundo espaçoporto de classe orbital em toda a América do Sul, e apenas o quinto em todo o hemisfério sul, de acordo com a própria empresa.

“Não há lugar melhor no planeta do que Alcântara para um local de lançamento equatorial. E com centenas de quilômetros de alcance cruzado em nossa plataforma de lançamento voadora, o potencial é ilimitado. Estamos ansiosos para trabalhar com nossos colegas da AEB e da FAB para trazer essa nova capacidade vital para Alcântara”, disse Dan Hart, CEO da Virgin Orbit.

A Hyperion Rocket Systems Inc vai operar no Centro de Lançamento de Alcântara a partir da principal plataforma de lançamento, junto com a C6 Launch e a Orion AST. Essas duas últimas farão lançamentos destinados, inicialmente, à coleta de lixo espacial.

No dia do anúncio, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, astronauta Marcos Pontes, também estava presente. “Esse é um momento ímpar de alinhamento entre todos os setores para o desenvolvimento do nosso programa espacial. Muita coisa ainda vem aí. Nós lançamos, desde 2019, quatro satélites brasileiros e temos feito parcerias internacionais, como o programa Artemis, dos Estados Unidos”, disse.

Segundo a Reuters, o programa espacial brasileiro quer capturar um nicho no mercado global de serviços de lançamento espacial, estimado em US$ 300 bilhões por ano. O Brasil ficaria com a parte do mercado de lançamento de satélites pequenos, que deve crescer para US$ 18 bilhões até 2029, de acordo com a consultoria Arcturus Advisors.

A previsão do presidente da AEB, Carlos Moura, é que o primeiro voo orbital lançado do Brasil aconteça no primeiro semestre de 2022.

Via: Reuters / Agência Espacial Brasileira / Virgin Orbit

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