Apesar de já ter vendido parte de seus ativos considerados não essenciais, a operadora de telecomunicações Oi deverá observar uma leve desaceleração em seu plano de recuperação judicial. Isso porque o CEO da companhia, Rodrigo Abreu, admitiu um atraso regulatório do Cade para efetivar as transações acordadas.

Em dezembro do ano passado, o consórcio formado por Vivo, Claro e TIM arrematou a Oi Móvel por R$ 16,5 bilhões. A venda significou um passo importante da Oi para sair do processo de recuperação judicial iniciado em 2016.

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Já em abril deste ano, a Oi anunciou a venda de parte da InfraCo — divisão especializada em fibra óptica da operadora — para o fundo de investimentos BTG Pactual. O valor da operação totalizou R$ 12,923 bilhões.

A previsão inicial era de que ambos os negócios fossem concluídos até o fim deste ano. No entanto, em uma reunião com analistas realizada nesta quinta-feira (13), Abreu disse que a análise regulatória do Cade deve ser concluída até o fim de 2021, o que indica possíveis conclusões das transações somente no ano que vem.

“Esperamos a aprovação da venda do móvel no começo de 2022. Da InfraCo, deve vir antes, final do quarto trimestre de 2021 ou começo de 2022. De qualquer forma, 2022 será ano em que todas a vendas estarão concluídas, teremos feito a transição para os novos donos, e teremos uma nova Oi conforme anunciado”, afirmou o executivo.

Fachada do Cade
Operações da Oi ainda dependem da aprovação do Cade. Foto: Cade/Divulgação

É preciso lembrar que além dos avais do Cade, ambas as transações também precisam ser aprovadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

E para complicar ainda mais a situação, Algar, Telcomp, Associação Neo e Idec apresentaram objeções ao Cade quanto à operação da Oi Móvel. Apesar disso, Mario Girasole, vice-presidente sênior da TIM, disse na semana passada que o risco da transação “emperrar” é baixa.

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Luz no fim do túnel

Apesar do atraso na aprovação das vendas de seus ativos, o CEO da Oi espera um retorno do fluxo de caixa positivo, mas no longo prazo.

Ainda neste ano, a operadora deve seguir com a “queima de caixa” em busca de garantir investimentos de R$ 2 bilhões na expansão da rede de fibra ótica.

A expectativa é que a Oi volte a operar com fluxo positivo somente em 2023, em função da migração de boa parte do Capex (despesas de capital) para a InfraCo.

“Esperamos ter fluxo de caixa positivo após a venda dos ativos e transição do móvel e da InfraCo. O ano de 2022 vai ser um ano de transição, então esperamos chegar nesse nível em 2023, e a partir de então, a tendência será ainda mais positiva. O maior Capex estará na InfraCo. Então em 2023 teremos um nível de EBITDA acima de 20%, e Capex abaixo de 10%, que representa um resultado orgânico positivo”, completou Abreu.

Fonte: TeleSíntese

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