A pressão para que o presidente sul-coreano Moon Jae-in perdoe o herdeiro da Samsung e vice-presidente da empresa, Lee Jae-yong tem aumentado no país asiático. Embora a companhia tenha apresentado números robustos no balanço financeiro dos três primeiros meses deste ano, a prisão do executivo coloca um ponto de interrogação no futuro da empresa — e da Coreia do Sul.

Filho de Lee Kun-hee, ex-presidente da Samsung que faleceu em outubro do ano passado, Lee Jae-yong voltou a ser condenado em janeiro deste ano. O executivo já havia sido preso em 2017, acusado de pagar propina para a então presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, para obter apoio na assunção ao cargo de seu pai e conseguir privilégios à empresa.

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O executivo cumpriu apenas um ano de prisão e saiu após o tribunal suspender o processo em 2018. No entanto, após um novo pedido de julgamento da Suprema Corte do país, o herdeiro da Samsung foi novamente condenado a cumprir uma pena de dois anos e meio.

O problema é que sua prisão tem causado grande controvérsia no país asiático. Como a gestão “atrás das grades” pode ser uma tarefa um tanto quanto difícil, líderes empresariais, jornalistas e até mesmo monges budistas temem que a prisão de Lee Jae-yong possa comprometer o crescimento da Samsung e, consequentemente, da Coreia do Sul — já que a economia do país é bastante dependente da companhia.

Fachada da Samsung
Prisão de Lee Jae-yong deve afetar o crescimento da Samsung e, consequentemente, a economia da Coreia do Sul. Foto: Arcansel/Shutterstock

Embora a pena do executivo se encerre apenas em julho de 2022, há uma expectativa de que o presidente possa libertá-lo antes, seja no aniversário de Buda (que ocorre na próxima quarta-feira), ou mesmo em agosto, no Dia da Libertação, data que costuma trazer perdões presidenciais a políticos e empresários de notoriedade.

Contudo, o gabinete de Moon Jae-in afirmou que vai analisar a competição intensa no mercado de semicondutores e os sentimentos da população antes de decidir se vai ou não perdoar o herdeiro da Samsung.

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Momento delicado

Apesar da condenação de Lee Jae-yong, a Samsung apresentou números robustos durante os três primeiros meses de 2021. O lucro líquido da sul-coreana ficou em US$ 5,4 bilhões (alta de 46%), muito em função do bom desempenho de vendas de eletrônicos e celulares da companhia.

Mas o afastamento do executivo ocorre em um momento conturbado, o que pode minimizar o crescimento da empresa. O primeiro impasse é relacionado com a concorrência: analistas dizem que a Samsung está perdendo a disputa na “corrida” por chips de alta tecnologia para a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC).

Para piorar, a TSMC tem garantido o fornecimento de chips para gigantes como Apple, já que a empresa da maçã decidiu evitar a dependência de componentes fabricados de uma concorrente. “A Samsung deve considerar medidas ousadas, como dividir seu negócio de fundição em uma empresa separada e listá-la no mercado de ações dos EUA para aliviar a preocupação dos clientes”, sugeriu Seung-woo, analista sênior da Eugene Investment and Securities.

E, claro, não se pode ignorar também a crise global dos chips que tem afetado toda a indústria global. Aliás, esse seria um ótimo momento para a Samsung pensar em estratégias para reformular seus negócios envolvendo os semicondutores. Mas com a prisão de Lee Jae-yong, as tomadas de decisão se tornam bem mais complicadas.

Agora, caberá ao presidente Moon Jae-in tomar sua decisão: manter a condenação sob ameaças de uma possível desaceleração na economia do país ou soltar Lee Jae-yong e ser massacrado por críticos e pela imprensa internacional.

Fonte: The Hindu

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