Para enfrentar as sanções do governo americano iniciadas na gestão Trump, o presidente da chinesa Huawei, Ren Zhengfei, planeja investir na produção de softwares para diversificar os produtos de sua companhia. Pelo menos é isso que revela um documento interno da empresa divulgado nesta terça-feira (25).

De acordo com o memorando, o presidente e fundador da Huawei afirma aos seus funcionários que a iniciativa faz sentido “porque no mundo do software, o governo dos Estados Unidos teria muito pouco controle sobre nosso desenvolvimento futuro e teríamos mais autonomia”.

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No entanto, não são informados mais detalhes sobre quais tipos de software a empresa chinesa pretende desenvolver ou mesmo quais companhias seriam consideradas rivais da Huawei.

As instruções de Zhengfei representam o episódio mais recente da mudança estratégica da companhia para “driblar” a pressão de Washington, que considera a Huawei uma grande ameaça à segurança nacional do país norte-americano.

Fachada da empresa Huawei
Chinesa busca alternativas para driblar as sanções americanas e recuperar espaço no mercado. Foto: Kapi Ng/Shutterstock

Em abril, a chinesa anunciou planos para atuar ao lado de fabricantes chinesas de automóveis para produzir veículos inteligentes.

A Huawei ainda prometeu acelerar o desenvolvimento de seu próprio sistema operacional (chamado HarmonyOS) para smartphones, tendo em vista que o acesso da empresa à plataforma Android foi restringida pelas medidas americanas. Inclusive, também nesta terça, a empresa de Zhengfei revelou que o HarmonyOS será lançado globalmente em 2 junho, junto do lançamento de outros novos produtos.

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“Guerra” contra os EUA

As pressões americanas tiveram início em meados de 2018, quando o então presidente americano Donald Trump alegou que os equipamentos da Huawei poderiam ser usados pelo Partido Comunista da China para atos de espionagem e sabotagem.

Isso provocou uma verdadeira campanha de restrição à chinesa: a companhia foi vetada do mercado dos Estados Unidos e reduziu o abastecimento de componentes após Washington pressionar que países aliados interrompessem e boicotassem o uso de equipamentos da Huawei em suas redes de telecomunicações.

A companhia chinesa rebateu as acusações e afirmou que nunca foram apresentadas provas concretas que respaldassem as incriminações. A justificativa, no entanto, não foi suficiente para evitar a baixa na venda de smartphones da empresa, que registraram queda de 21% no ano passado.

Até o momento, o atual presidente americano Joe Biden não deu indícios de que as pressões americanas contra a Huawei devem diminuir. Por isso, a estratégia de diversificação da empresa de telecomunicações chinesa torna-se ainda mais importante para recuperar seu espaço no mercado.

Zhengfei destacou que a produção de softwares da empresa vai priorizar o mercado chinês, mas sem ignorar os negócios na Europa, Ásia e África.

Fonte: Uol

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