Por mais de 30 anos, a China adotou a “política do filho único”, que consistia em uma lei segundo a qual era proibido, a qualquer casal, ter mais de um filho. A determinação tinha o objetivo de reduzir o crescimento populacional e, desse modo, facilitar o acesso da população a um sistema de saúde e educação de qualidade. Em 2016, essa medida foi abolida, e os casais chineses passaram a ser autorizados a ter dois filhos. Nesta segunda-feira (31), o governo chinês anunciou que vai ampliar os limites da natalidade, passando a permitir três filhos por núcleo familiar. 

China, país mais populoso do mundo revê políticas de controle familiar. Imagem: Arthimedes – Shutterstock

Visando combater o rápido envelhecimento da população, a mudança de política será acompanhada por “medidas de apoio, que irão melhorar a estrutura populacional do país, cumprindo a estratégia de lidar ativamente com o envelhecimento da população e manter a vantagem na dotação de recursos humanos”, de acordo com a Xinhua, a agência de notícias oficial chinesa.

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A decisão é em decorrência dos resultados dos últimos censos, que apontam uma drástica queda na taxa de natalidade no país mais populoso do mundo. Consideram-se como maiores preocupações as consequências do envelhecimento da força de trabalho e a estagnação econômica no país.

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Segundo os últimos recenseamentos, a população em idade reprodutiva diminui muito rapidamente, enquanto a faixa etária dos 65 anos tem um aumento exponencialmente acelerado. Estatísticas indicam que o número de pessoas em idade reprodutiva pode despencar para a metade em 2050, elevando a “taxa de dependência”, ou seja, o número dos que dependem de cada um trabalhar para gerar receita a fim de pagar as pensões, os impostos de saúde e outros serviços públicos.

Mulheres independentes e alto custo de vida reduzem nascimentos anuais na China

Apesar de o governo encorajar os casais a terem filhos, os nascimentos anuais no país alcançaram uma baixa recorde de 12 milhões em 2020, de acordo com o divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China em abril. Isso se concretiza mais à medida que o custo de vida aumenta, as taxas de casamento caem, e as mulheres passam a, cada vez mais, fazerem seu próprio planejamento familiar independente.

A taxa de fertilidade da China é de 1,3, “o que fica abaixo do nível necessário para manter uma população estável”, revelou a entidade de estatísticas.

Outro grande problema gerado pelos longos anos de política do filho único é o equilíbrio de gênero. A preferência social tradicional por meninos levou a uma geração de abortos seletivos de sexo e ao abandono de meninas.

Especialistas acreditam que pode ser tarde demais para reverter a tendência de queda de natalidade. “A maioria das famílias tem preferência por poucos filhos agora – semelhante ao resto do Nordeste da Ásia“, afirma Lauren Johnston, pesquisadora de economia e demografia da China da Faculdade de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.

Uma pesquisa do Zhaopin.com, um dos maiores websites de recrutamento on-line do país, revelou que cerca de 40% das mulheres que trabalham fora de casa e não têm filhos não querem ter nenhum. Além disso, em torno de 66% daquelas que têm somente um filho não querem ter um segundo. 

Johnston não aposta que a nova política levará a um volume significativo de nascimentos de terceiros filhos. “Para uma geração mais jovem de mulheres, vivendo na normalidade hipercompetitiva das cidades da China moderna, onde bom trabalho e acomodação são difíceis de encontrar, o relaxamento pode ser pouco atrativo”.

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