O aquecimento global não é algo que vai afetar a humanidade direta e drasticamente apenas no futuro. A mudança climática já está aqui e causa estragos. Entre 1991 e 2018, um terço das mortes relacionadas ao calor no verão foram causadas pelo aumento na temperatura global.

O risco de morte por causa do calor é mais alto em regiões como a América do Sul e a Central, o Sul da Europa e o Sudeste Asiático. Esses óbitos seriam evitados em um mundo sem as alterações climáticas induzidas pela humanidade que levam ao aumento de temperatura.

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Segundo os pesquisadores, os dados são piores no Equador e na Colômbia. Nos dois países sul-americanos, até 75% das mortes relacionadas ao calor estão ligadas ao aquecimento global por causa de emissões do homem. O artigo com o estudo foi publicado na revista científica Nature, nesta segunda-feira (31).

“Em muitos locais, a mortalidade atribuível já é da ordem de dezenas a centenas de mortes a cada ano. Isso ocorreu com um aumento médio da temperatura global de apenas aproximadamente 1°C, o que é inferior até mesmo às metas climáticas mais rígidas delineadas no Acordo de Paris e uma fração do que pode ocorrer se as emissões não forem controladas”, dizem os pesquisadores.

A meta do Acordo de Paris citado pelos pesquisadores é de 1,5ºC a 2ºC. O compromisso, que objetiva reduzir as emissões de gases de efeito estufa, foi assinado por 195 países e ratificado por 147 em dezembro de 2015. Ele entrou em vigor no dia 4 de novembro de 2016.

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América do Sul e a Central, o Sul da Europa e o Sudeste Asiático são as regiões mais afetadas pelo aquecimento global. Imagem: Pixabay

Para chegar aos resultados do estudo, os pesquisadores compararam dois mundos diferentes. Num deles, humanos não emitiriam gases provenientes de combustível fóssil, enquanto o outro reflete a realidade. As simulações, usando dados de saúde e clima, foram feitas em 732 localidades em 43 países.

A temperatura média no verão em cada local aumentou no cenário de mudanças climáticas. Sem emissões humanas, a temperatura média anual no verão era de 21,5ºC. Na década passada, os números reais foram de quase 23ºC.

O aumento parece pequeno, mas as consequências são trágicas. E são ainda piores em países de baixa e média renda. Ásia, América Central e do Sul registraram mais de 50% das mortes relacionadas ao calor. Em Bangkok, especificamente, mais de 50% das mortes pelas altas temperaturas são causadas pelas mudanças climáticas.

As previsões iniciais sugerem que futuras ondas de calor tropical podem aumentar a mortalidade em até 2.000% em áreas próximas à Linha do Equador. Até 2080, pelo menos quatro vezes mais pessoas vão morrer de calor em cidades australianas e norte-americanas.

“As mudanças climáticas não terão apenas impactos devastadores no futuro, mas todos os continentes já estão experimentando as terríveis consequências das atividades humanas em nosso planeta. Devemos agir agora”, disse o estatístico Antonio Gasparrini, da London School of Hygiene & Tropical Medicine.

Via: Science Alert

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