Pessoas vacinadas com o imunizante da Pfizer podem ter uma proteção menor contra a variante indiana da Covid-19 em comparação com outras versões do vírus. Os níveis de anticorpos gerados no sangue contra a cepa Delta (na nova nomenclatura da OMS) se mostraram mais baixos do que a taxa gerada contra a variante do Reino Unido, por exemplo.

A pesquisa publicada no The Lancet na última quinta-feira (4) mostra que os anticorpos também foram mais baixos em pessoas mais velhas, o que já era esperado. No entanto, isso pode reforçar a necessidade de uma terceira dose para grupos mais vulneráveis, o que inclusive já foi discutido pela fabricante.

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Vacina da Pfizer e os anticorpos

Atualmente também está em discussão a possibilidade de reduzir o tempo entre cada dose da vacina, inclusive aqui no Brasil a diferença entre as doses é menor. A medida foi apoiada pelos pesquisadores já que com apenas uma dose da Pfizer os níveis de proteção contra a variante indiana foram baixos quando comparados com outras cepas.

Níveis mais baixos de anticorpos não querem dizer necessariamente que a vacina possui uma eficácia reduzida. Mesmo com um número menor, a proteção ainda pode ser alta. O que o estudo mediu é a capacidade de corpo de bloquear a entrada do vírus nas células.

“Novas variantes ocorrem naturalmente e aquelas que têm uma vantagem irão se espalhar. Agora temos a capacidade de adaptar rapidamente nossa vacinação estratégias para maximizar a proteção onde sabemos que as pessoas são mais vulneráveis, disse David LV Bauer, um dos líderes do estudo.

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Os pesquisadores mediram os níveis de anticorpos neutralizantes em 250 pessoas três meses após terem recebido a primeira dose da vacina da Pfizer. As comparações foram feitas com o vírus “original”, que surgiu em Wuhan (China) e contra as cepas do Reino Unido, da África do Sul e da Índia.

Eles descobriram que em pessoas que foram totalmente vacinadas com duas doses da vacina da Pfizer, os níveis de anticorpos neutralizantes eram mais de cinco vezes mais baixos contra a variante indiana em comparação com a cepa original, na qual as vacinas atuais usam como base.

“Esse vírus provavelmente ainda existirá por algum tempo, então precisamos permanecer ágeis e vigilantes. Nosso estudo foi projetado para responder às mudanças na pandemia para que possamos fornecer rapidamente evidências sobre a mudança de risco e proteção”, disse Emma Wall, consultora de Doenças Infecciosas da UCLH e Pesquisadora Clínica Sênior do estudo Legacy,

“O mais importante é garantir que a proteção da vacina permaneça alta o suficiente para manter o maior número possível de pessoas fora do hospital. E nossos resultados sugerem que a melhor maneira de fazer isso é administrar rapidamente segundas doses e fornecer reforços para aqueles cuja imunidade pode não ser alto o suficiente contra essas novas variantes”, completou.

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