Os efeitos da mudança climática não são coisa do futuro. Eles estão acontecendo agora. A plataforma de gelo da geleira Pine Island, na Antártica, está se despedaçando gradualmente e acelerando o colapso da geleira no mar.

Essa plataforma flutuante ajuda a conter a massa aterrada da geleira, uma das que se movem mais rápido no continente congelado. O dramático processo de redução do tamanho foi analisado através de imagens de satélites feitas entre os anos de 2017 e 2020. Grandes icebergs da borda se quebraram, acelerando a geleira.

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O artigo com o estudo dos pesquisadores da Universidade de Washington e do British Antarctic Survey foi publicado na revista científica Science Advances, nesta quarta-feira (9). O enfraquecimento da borda encurta o cronograma para o colapso de Pine Island no mar.

“Podemos não ter o luxo de esperar por mudanças lentas em Pine Island; as coisas podem realmente ir muito mais rápido do que o esperado. Os processos que estávamos estudando nesta região estavam levando a um colapso irreversível, mas em um ritmo bastante moderado. As coisas poderiam ser muito mais abruptas se perdermos o resto da plataforma de gelo”, disse Ian Joughin, glaciologista do Laboratório de Física Aplicada da UW e principal autor do estudo.

Imagens da geleira registradas pelo satélite Sentinel-1, entre 2015 e 2020, no glaciar Pine Island
Imagens da geleira registradas pelo satélite Sentinel-1, operado pela Agência Espacial Europeia (ESA), entre 2015 e 2020. Imagem: Sentinel

Pine Island tem aproximadamente 180 trilhões de toneladas de gelo. Isso é o equivalente a meio metro de elevação global do nível do mar. Atualmente, a cada ano, a geleira já é a principal responsável da Antártica para esse aumento, com um sexto de milímetro a cada ano. A taxa vai crescer.

Se essa geleira e Thwaites, sua vizinha, acelerarem e seguirem completamente para o oceano, os mares podem subir muitos metros nos próximos anos. As duas geleiras estão afinando por causa das correntes oceânicas mais quentes, que derretem o gelo por baixo.

Entre 1990 e 2009, o glaciar Pine Island teve o movimento en direção ao mar acelerado de 2,5 quilômetros por ano para 4 quilômetros por ano, se estabilizando por quase uma década. Já de 2017 a 2020, a plataforma perdeu 20% da área. Esse crescimento não tem a ver com os oceanos. Ainda não está claro se ela vai continuar a quebrar.

“A plataforma de gelo parece estar se fragmentando devido à aceleração da geleira nas últimas duas décadas. As recentes mudanças na velocidade não são devidas ao afinamento causado pelo derretimento; ao invés disso, são devidas à perda da parte externa da plataforma de gelo. A aceleração da geleira não é catastrófica neste ponto. Mas se o resto da plataforma de gelo se quebrar e for embora, a geleira pode acelerar bastante”, completou Joughin.

Via: Phys

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