Pegadas de pelo menos seis espécies de dinossauros – os últimos desses animais a andarem em solo do Reino Unido, há cerca de 110 milhões de anos – foram encontradas em Kent, no sudeste da Inglaterra, próximo de Londres.

As pegadas foram descobertas nas falésias da costa em Folkestone, no condado de Kent. No local, as condições de tempestade afetam a falésia e as águas costeiras, o que leva a constantes revelações de novos fósseis.

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De acordo com o professor de Paleobiologia, David Martill, “esta é a primeira vez que pegadas de dinossauros foram encontradas em estratos conhecidos como ‘Formação Folkestone’, e é uma descoberta extraordinária, porque esses dinossauros teriam sido os últimos a vagarem pelo país antes de se tornarem extintos”.

“Eles estavam andando perto de onde os penhascos brancos de Dover estão agora”, afirma Martill. “Da próxima vez que você estiver em uma balsa e vir aqueles penhascos magníficos, imagine só”, empolga-se o professor.

Variedade das pegadas mostra que havia uma diversidade alta de dinossauros no sul da Inglaterra

De acordo com o site Phys.org, as pegadas identificadas são de uma variedade de dinossauros, o que mostra que havia uma diversidade relativamente alta desses animais no sul da Inglaterra no fim do período Cretáceo Inferior, há 110 milhões de anos.

Pegada de um terópode, encontrada da Tailândia, se assemelha a algumas das que foram identificadas em Kent, no Reino Unido. Imagem: Maderla – Shutterstock

Acredita-se que as espécies incluíam anquilossauros, dinossauros blindados de aparência robusta que eram como tanques vivos; terópodes, dinossauros carnívoros com três dedos, como o Tiranossauro Rex; e ornitópodes, dinossauros herbívoros com “quadris de pássaros”, assim chamados por causa de sua estrutura pélvica ser um pouco semelhante à das aves.

Philip Hadland, curador de coleções do Museu e Galeria de Arte Hastings, é o principal autor do estudo. “Em 2011, deparei com impressões incomuns na formação rochosa de Folkestone. Elas pareciam estar se repetindo e tudo que eu conseguia pensar era que poderiam ser pegadas”, relata Hadland.

Philip Hadland, curador de coleções do Museu e Galeria de Arte Hastings,descobriu as pegadas em Kent, sudeste da Inglaterra. Imagem: PA Media – BBC

Segundo ele, isso estava em desacordo com o que a maioria dos geólogos diz sobre as rochas na Inglaterra. “Mas, procurei mais pegadas e, à medida que as marés revelavam mais pela erosão, encontrei outras ainda melhores”. 

Hadland conta que era necessário mais trabalho para convencer a comunidade científica de sua validade. Por essa razão, procurou especialistas da Universidade de Portsmouth para aprimorar os estudos sobre o que havia encontrado.

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Um rastro de pegadas semelhantes em tamanho a uma pegada de elefante foi identificado como pertencente, provavelmente, a um ornitópode, do qual pegadas semelhantes, mas de tamanho menor, também foram encontradas na China no mesmo período.

Já a maior pegada encontrada – medindo 80 cm de largura e 65 cm de comprimento – foi identificada como pertencente a um dinossauro parecido com o iguanodonte. Os iguanodontes também eram herbívoros, cresciam até 10 metros de comprimento e andavam sobre duas ou quatro patas.

Hadland afirma: “Além de descobrir que os dinossauros iam para o litoral, assim como seus parentes modernos, os pássaros, também encontramos novas evidências que mudam a interpretação da geologia das camadas da Formação Folkestone”.

Ele explica que isso prova que o que é publicado sobre a geologia de uma área nem sempre é definitivo e novas compreensões podem ser feitas. O artigo foi publicado na revista Anais da Associação de Geólogos, publicação Oficial da Associação de Geólogos do Reino Unido. Algumas das pegadas estão atualmente em exibição no Museu de Folkestone.

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