Montanha-russa. Essa seria a melhor forma para explicar a situação do bitcoin em 2021. Embora a criptomoeda mais negociada do mundo tenha batido diversos recordes no começo deste ano, as recentes quedas de preço do ativo deixam o mercado receoso com o que pode acontecer no futuro próximo — e bem, o temor é compreensível.

Considerado o melhor investimento de 2020, o bitcoin iniciou 2021 de maneira sólida e atingiu a cotação inédita de US$ 65 mil em abril. Naquela época, a valorização do ativo no ano era de aproximadamente 114%.

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Mas com a chegada de maio, a moeda digital sofreu um verdadeiro baque. Fatores como guerra comercial entre China e Estados Unidos, pressões regulatórias globais e questões ambientais fizeram com que o bitcoin caísse 36% ao longo do mês, culminando no pior período da criptomoeda em quase 10 anos.

Esperava-se que o ativo demonstrasse alguma recuperação em junho, passada a tempestade, mas não foi isso que aconteceu. Tanto que o bitcoin encerrou junho cotado a pouco mais de US$ 34 mil — muito abaixo do valor atingido em abril.

Gráfico com a cotação do bitcoin
Cotação do bitcoin no primeiro semestre de 2021. Foto: CoinMarketCap/Reprodução

Diante dos casos recentes, o mercado agora está receoso quanto ao futuro do bitcoin. É certo que é quase impossível prever o futuro de um ativo tão volátil, mas é importante considerar alguns riscos antes de apostar tudo em uma possível recuperação.

Regulamentação

Este talvez seja um dos principais receios, e que pode influenciar em outras questões no futuro do bitcoin. Embora o ativo tenha sido adotado como moeda local de El Salvador — o que é visto como um ponto positivo —, a criptomoeda tem enfrentado diversas restrições individuais no mundo todo, já que não existe um órgão regulador centralizado.

Em maio, por exemplo, a China proibiu que as instituições financeiras e empresas de pagamento do país forneçam serviços relacionados a transações de criptomoedas. Para piorar, o país asiático reforçou o combate à mineração das moedas digitais com a proibição da atividade no sudoeste do país.

Já o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos passou a exigir que qualquer transferência de criptomoedas igual ou maior do que US$ 10 mil seja relatada ao IRS, serviço de receita do Governo Federal americano.

O Reino Unido, por sua vez, proibiu a Binance, a maior bolsa de criptomoedas do mundo, de realizar atividades regulamentadas na região. A Tailândia proibiu criptomoedas memes e diversos tokens, e a Índia estuda banir as moedas digitais de seu país, inclusive, com aplicação de multas em casos de posse ou transações desses ativos.

Naturalmente, todos esses movimentos colocam em xeque o futuro do bitcoin e, ao que parece, enquanto não houver um regulador centralizado — além de maior segurança para o setor —, as operações com o ativo devem ser uma “pulga atrás da orelha” para os investidores.

Volatilidade

Justamente pela falta de um regulador sobre o preço da criptomoeda, a oscilação do bitcoin é quase uma certeza. Mas isso tem o seu lado bom e o seu lado ruim: ao mesmo tempo que os investidores podem acumular ganhos robustos, as perdas podem afastar esse players do universo dos criptoativos.

Ilustração de volatilidade do bitcoin
Oscilações do preço do bitcoin devem continuar nos próximos meses. Foto: hpphtns/Shutterstock

Na verdade, justamente por conta das incertezas, teme-se que as negociações do bitcoin desacelerem nos próximos meses. Mas para Ross Middleton, diretor financeiro da plataforma de finanças descentralizada DeversiFi, a volatilidade não deve configurar uma barreira para a adoção institucional.

Segundo declaração à CNBC, o executivo acredita que a volatilidade “pode realmente ser uma atração significativa, pois o potencial para grandes movimentos de preços significa que os fundos podem ter lucros significativos com uma alocação relativamente pequena em comparação com o tamanho de sua carteira geral”.

Isso significa que, mesmo que o bitcoin mova-se lateralmente daqui pra frente, a percepção do mercado será de uma consolidação base do ativo, o que pode proporcionar maior segurança para os investidores.

Stablecoins

Também conhecidos como “moedas estáveis”, os stablecoins foram criados com o intuito de diminuir a volatilidade das criptomoedas, igualando-as a ativos estáveis como dólar e ouro.

Suas operações permitem, por exemplo, transferir os investimentos em bitcoin para uma stablecoin quando houver uma perspectiva de baixa. Deste modo, ao manter os investimentos em moedas estáveis, as perdas seriam reduzidas.

Mas na semana passada, o presidente do Federal Reserve Bank de Boston, Eric Rosengren, afirmou que o tether, uma das maiores stablecoins do mercado, significa um risco para a estabilidade financeira, já que existe um temor de que o criptoativo não tenha reservas o suficiente para justificar sua indexação ao dólar.

E com o cerco às moedas estáveis, a volatilidade do bitcoin também pode ser afetada — já que existe uma preocupação antiga se o tether está sendo usado para manipular o preço da criptomoeda mais negociada do mundo.

Por conta disso, os receios sobre “o que é o valor concreto” de um ativo e “o que é especulação” tendem a aumentar.

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Criptomoedas meme e segurança

Falando em especulação, a crescente valorização de criptomoedas meme como dogecoin e SHIBA INU também coloca dúvidas sobre o valor real das criptomoedas em geral.

A forte influência de Elon Musk provocou recentes altas do dogecoin. Inclusive, em determinado momento, o ativo chegou a valer mais do que a Ford e outras grandes empresas americanas. Isso atraiu diversos novatos no mercado que tinham como ambição ganhos astronômicos.

Ilustração de criptomoeda meme dogecoin
Crescimento de criptomoedas meme provocou a adesão de novos investidores ao mercado. Foto: Rafael Tomazi/Shutterstock

E com a adesão cada vez maior de investidores no universo das criptomoedas, os golpes também cresceram. Os cibercriminosos viram um mercado “promissor” para seus golpes, já que não há um órgão regulador único de mercado e o cenário envolve grandes transações monetárias.

No começo de junho, os EUA conseguiram recuperar cerca de US$ 2,3 milhões em bitcoins após um ataque cibernético. Apesar do resgate, a ocorrência serviu para reforçar os temores relacionados à segurança dos criptoativos.

Uma das alternativas seria a intervenção do governo em casos de investidores “queimados” do mercado por conta de golpes. No entanto, isso significa maior regulamentação das criptomoedas, o que deve interferir no preço livre desses ativos.

Questões ambientais

Outro receio com o futuro do bitcoin é derivado de sua alta demanda energética e dos danos causados à natureza. Não à toa, a Tesla, do bilionário Elon Musk, deixou de aceitar pagamentos em criptomoedas para a compra de seus veículos.

A gigante justifica a ação pelo temor de que o uso do bitcoin possa resultar em um aumento no consumo de energia e combustíveis fósseis. E, bem, a companhia está certa.

De acordo com análise de pesquisadores da Cambridge University, da Inglaterra, a mineração de bitcoins consome um volume de energia maior que o de países como como Argentina, Holanda e Emirados Árabes Unidos.

As preocupações são tantas que, no mês passado, foi criado o Bitcoin Mining Council (BMC), um conselho — do qual Elon Musk ficou de fora — para “promover a transparência no uso de energia [do ativo] e acelerar iniciativas de sustentabilidade em todo o mundo”.

O problema é que, à medida que as negociações com o bitcoin aumentam, o consumo e a mineração de energia, naturalmente, também crescem. E isso caminha para uma direção oposta aos objetivos de sustentabilidade, um dos temas mais debatidos atualmente por investidores e companhias globais.

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