A descoberta de uma nova espécie de hominídeo na China gerou muita agitação na semana passada. Seus descobridores, um grupo formado por 12 cientistas liderados pelo professor Qiang Ji, da Hebei GEO University, na China, dizem que o crânio encontrado perto de Harbin, no nordeste do país, tem uma combinação de características que é diferente de Neandertais, Denisovanos e Homo Sapiens, e que deve ser uma espécie separada.

O fóssil recebeu o nome de Homo Longi (Homem Dragão), em homenagem ao rio onde foi encontrado, Long Jiang (Rio do Dragão). Com base em comparações das medidas do crânio com o de outros hominídeos, os pesquisadores dizem que o Homo Longi é uma espécie irmã dos Neandertais, Denisovanos e do humano atual.

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O debate entre os paleoantropólogos levanta questões sobre como devemos traçar limites entre as espécies de hominídeos.

homo longi
Homo longi ou ‘homem dragão’ viveu há cerca de 146 mil anos.
Imagem: Divulgação/Ansa – Brasil

Conhecendo o crânio de Harbin

Com base nos dados, o fóssil permaneceu enterrado por pelo menos 146 mil anos, mas está em excelente forma. Crânios de hominídeos fósseis muitas vezes acabam esmagados ou deformados depois de muitos milênios no solo, mas o de Harbin está intacto.

O crânio tem uma face larga com maçãs do rosto pequenas e achatadas. A caixa craniana é tão grande quanto a de uma pessoa moderna, mas é longa e baixa, em vez de alta e redonda. A mandíbula já teve grandes molares que parecem pertencer a um membro mais velho de nossa árvore genealógica ou a um Denisovano. Cada uma dessas características individuais já foi vista em outras espécies de hominídeos.

Por outro lado, um rosto relativamente plano que fica logo abaixo das sobrancelhas, em vez de se projetar para fora, é uma marca registrada dos humanos modernos. Assim como sua grande capacidade craniana (cerca de 1.420 mililitros).

Segundo os cientistas, “seu enorme tamanho geral o diferencia de quase todos os outros fósseis”, então não podemos ter certeza de quão grande era sua caixa craniana em relação ao tamanho do corpo.

O crânio do "Homem Dragão" é realmente de uma nova espécie de hominídeo
O crânio do “Homem Dragão” é realmente de uma nova espécie de hominídeo. Reprodução/Ars Technica

De acordo com os pesquisadores, os antropólogos nunca viram todas essas características juntas nesta combinação. É o que os paleoantropólogos chamam de mosaico, com alguns traços que parecem vir de linhagens mais antigas e outras que se assemelham mais com as nossas.

Mas a questão sobre o crânio de Harbin é se sua combinação de características é realmente a marca registrada de uma espécie totalmente separada.

O fóssil poderia estar dentro da faixa normal de diversidade para Denisovanos, que também eram uma espécie muito diferente. Mas não temos muitos exemplos para comparar a mandíbula de Harbin se quisermos dizer se ela se parece com um crânio Denisovano.

DNA, proteínas e outras evidências

O teste de DNA forneceria a resposta mais clara. Ao mesmo tempo, os biólogos classificavam as espécies e descobriam suas relações com base na aparência ou não.

Para muitas espécies de hominídeos mais antigas, é claro, isso é impossível, nenhum DNA do Homo primitivo sobreviveu, então os paleoantropólogos estão presos à aparência dos ossos. Mas temos os genomas do Neandertal, do Denisovano e do Homo Sapiens.

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Se o DNA antigo puder ser recuperado do crânio de Harbin, a maior parte do debate poderá ser resolvida. Mesmo sem o DNA pode haver outra opção. Os genes no DNA codificam para proteínas, que são blocos de construção de um organismo. As proteínas podem sobreviver em ossos antigos por mais tempo.

Então, até termos mais evidências, é difícil dizer se o Homem Dragão é uma nova espécie de hominídeo.

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