O teste de PCR Digital entrou em evidência no último ano devido a sua capacidade de diagnosticar o vírus da Covid-19. No entanto, o exame possui outras aplicações e uma delas pode ser a de identificar uma nova mutação em um tumor cerebral conhecido como adenoma pituitário.

Os resultados do estudo feito pelo Instituto Estadual do Cérebro foram publicados na revista Pituitary Journal. A pesquisa estudo mostra uma mutação na proteína conhecida como K-RAS no adenoma pituitário. Esse tipo de tumor pode causar dores de cabeça, mudança nos hormônios e até perda parcial da visão.

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Em entrevista para a Agência Brasil, Vivaldo Moura Neto, chefe do estudo, explicou que o método é antigo, usado desde a década de 70, mas sua aplicação em tumores sólidos é mais recente. Além disso, existe a vantagem do método ser pouco invasivo, sem a necessidade de um procedimento cirúrgico para retirar uma amostra do tumor.

“Mais recentemente, eu diria há coisa de dez anos, começou-se a verificar que tumores sólidos poderiam ter estudadas suas mutações tumorais no sangue do paciente. Quando a pessoa tem um tumor, as células desse tumor se desprendem da massa; o DNA se desprende da massa tumoral e cai na corrente circulatória, no chamado sangue periférico”, disse.

PCR Digital em tumor

“Para fazer a biópsia sólida, de modo geral eu tenho que tomar um pedaço do tumor. Isso é invasivo. Eu vou ter que invadir o indivíduo com um tumor no pâncreas, nos rins, no cérebro, no pulmão. E com a biópsia líquida, não. Eu vou colher o sangue do paciente e com pouquíssimo volume de sangue, eu posso ver esses genes de mutação que representam a formação do tumor”, completou ainda.

Após o sangue ser colhido, ele é levado para uma análise de PCR Digital. O equipamento de alta resolução permite que a mutação seja visualizada. O método clássico de identificação não consegue exibir da mutação com tanta facilidade.

“Eu não estou dizendo que ela (mutação) é a única do tumor. Ele (PCR Digital) pode mostrar diferentes mutações que são típicas de um caso de câncer. Essa foi a menor. A vantagem é que ela jamais tinha sido descrita no caso da hipófise (adenoma pituitário). Ela foi encontrada já em outros tumores, de outros tecidos. Mas no caso da hipófise, não”, explicou o especialista.

O procedimento por PCR digital pode ajudar os médicos também a detectar que tipo de tumor cerebral a pessoa tem. “Posso ver então que essa mutação é capaz de prejudicar uma determinada série de mutações Se eu conheço essa mutação, posso tentar encontrar uma droga, um fármaco, daqui a algum tempo, que seja capaz de bloquear essa mutação. É um sinal importante para”, finalizou o chefe do estudo.

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