A maioria das mulheres – não todas – sofrem com as conhecidas e chatas cólicas menstruais, também chamadas de dismenorreia por médicos. De acordo com o Medical Xpress, até 29% dentre elas podem sofrer com dores tão fortes e graves sendo incapazes de realizar qualquer atividade simples e rotineira.

Agora, uma recente descoberta feita por pesquisadores do China Medical University Hospital, em Taiwan, mostrou que o índice de mulheres que possuem fortes cólicas pode estar atrelado à longa exposição à poluição do ar por nitrogênio e óxidos de carbono que, segundo o estudo, potencializa o desenvolvimento de dismenorreia.

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Dados coletados durante 13 anos (2000 a 2013) entre um total de 296.078 mulheres e meninas de 16 e 55 anos do Taiwan – local com altos níveis de poluição – mostrou que dentro desse período elas tiveram 33 vezes mais chances de desenvolver cólicas do que mulheres que vivem em lugares menos poluentes.

Além disso, 4,2% delas apresentaram os primeiros sintomas dentro do período estudado e mulheres mais jovens, com baixa renda e morando em áreas mais urbanizadas, tiveram uma pré-disposição de risco maior. O artigo com os resultados foi publicado na Frontiers in Public Health.

Para uma comparação mais justa, os pesquisadores consideraram dados de mulheres e meninas que não haviam tido dismenorreia antes do ano 2000 – início da coleta de dados.

Os poluentes de ar levantados pelo ‘Taiwan Air Quality Monitoring Database’, da Agência de Proteção Ambiental, foram:  óxido de nitrogênio (NO x), óxido nítrico (NO), dióxido de nitrogênio (NO 2), monóxido de carbono (CO) e partículas menores que 2,5 de diâmetro (‘PM2,5’), tendo este último causado o maior efeito individual na exposição de longo prazo.

Poluição por partículas finas são provenientes de atividades industriais, veículos automotores e queima de combustíveis.

mulher deitada com cólica menstrual forte
Poluição do ar pode potencializar o desenvolvimento de cólicas menstruais, diz estudo. Imagem: Shutterstock

“Pesquisas já mostraram que mulheres que fumam ou bebem álcool durante a menstruação, ou que estão com sobrepeso, ou têm sua primeira menstruação muito jovem, correm maior risco de dismenorreia. Mulheres que nunca engravidaram também correm maior risco. Mas aqui demonstramos pela primeira vez outro fator de risco importante para o desenvolvimento de dismenorreia: a qualidade do ar, em particular a exposição a longo prazo à poluição. Ainda não sabemos o mecanismo subjacente, mas o estresse emocional em mulheres expostas a poluentes atmosféricos, ou níveis médios mais elevados de prostaglandinas semelhantes a hormônios em seu corpo podem ser parte da resposta “, disse um dos autores, o professor Chung Y. Hsu, da Faculdade de Medicina da China Medical University.

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A dismenorreia não tem cura

A dismenorreia acontece por diversos fatores, no período da menstruação pode ser devido a alteração hormonal ou a condições ginecológicas subjacentes, como endometriose, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica ou tumores na cavidade pélvica.

Os sintomas duram por toda a vida e atrapalha não apenas atividades rotineiras, como causa também impactos de forma socioeconômica e cultural, já que essa mulher pode não conseguir trabalhar e ser demitida por isso. Apesar de não ter cura, anti-inflamatórios e anticoncepcionais podem ajudar no controle das dores e desconfortos.

Para os pesquisadores, o ponto mais importante do estudo é um aumento de risco atrelado aos poluentes. A taxa chamada de ‘razão de risco’ – risco específico para idade e ano – antes era de 16,7 e hoje está em 33.

“Nosso estudo de resultados demonstra o grande impacto da qualidade do ar na saúde humana em geral, aqui especificamente no risco de dismenorreia em mulheres e meninas. Esta é uma ilustração clara da necessidade de ações de órgãos governamentais e cidadãos para reduzir o ar poluição, a fim de melhorar a saúde humana”, alertou o professor e pesquisador.

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