Um estudo liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que dois remédios para artrite podem reduzir as mortes em casos graves de Covid-19. O tocilizumabe e o sarilumabe foram avaliados em 11 mil pacientes e salvaram a vida de muitos infectados internados.

Os medicamentos, quando misturados com corticosteroides, são capazes de bloquearem uma inflamação causada pela resposta do sistema imunológico ao vírus. Essa inflamação leva ao agravamento da doença e muitas vezes a necessidade de intubação.

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As células de defesa do organismo criam as Interleucinas, que causam uma inflamação no corpo na tentativa de eliminar o patógeno. No entanto, esse processo leva ao agravamento do quadro, já que é incapaz de eliminar a Covid-19. Desde o começo da pandemia, pesquisadores testaram diversos medicamentos na tentativa de impedir que ocorra essa ação.

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Os testes com o uso de tocilizumabe e sarilumabe tiveram início em março de 2020. Um estudo preliminar com 800 pacientes teve seus resultados apresentados em janeiro desse ano. Os números positivos fizeram a OMS analisar diversas pesquisas no mundo inteiro e compilar os dados.

No total, foram incluídos no relatório 27 estudos realizados em 28 países, incluindo o Brasil. Em todos os casos foram testados os medicamentos contra artrite em pacientes com Covid-19 em estado crítico. Das 11 mil pessoas que fizeram parte dos testes, 6.449 pessoas receberam os remédios enquanto 4.481 passaram pelo tratamento padrão, o chamado grupo de controle.

“Essas drogas oferecem esperança para pacientes e famílias que estão sofrendo com o impacto devastador da covid-19 grave e crítica. Mas os bloqueadores do receptor de IL-6 permanecem inacessíveis para a maioria do mundo”, explicou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Remédios para artrite contra a Covid-19

No geral, os dois medicamentos contra artrite reduziram em 17% as mortes de pacientes internados com Covid-19. Em pessoas sem a necessidade de ajudar de aparelhos para respirar, essa queda é de 21%. No total, 22% dos pacientes que receberam o tocilizumabe ou o sarilumabe morreram contra 25% do grupo de controle.

Em números gerais, foram 115 óbitos a cada 1 mil pessoas tratadas com os remédios testados. Já em pacientes com o tratamento convencional foram 130 mortes a cada 1 mil. 63 pacientes de 1 mil que tomaram os medicamentos precisaram de ventilação mecânica contra 83 de 1 mil que fizeram o tratamento padrão.

“Reunir os resultados de estudos realizados em todo o mundo é uma das melhores maneiras de encontrar tratamentos que ajudarão mais pessoas a sobreviver à covid-19”, disse Janet Diaz, líder de gestão clínica e emergências em saúde da OMS.

Os pesquisadores destacam, no entanto, que o remédio não é uma fórmula milagrosa e que ainda houve um número de mortes considerável nas pessoas tratadas com o medicamento. Mas como existem poucas opções de tratamento para pacientes em estado grave com a Covid-19, os medicamentos contra a artrite podem ser bastante úteis. O que pode dificultar seu uso é o alto custo. No Brasil, esses remédios chegam a custar R$ 12 mil.

“Atualizamos nossa orientação de tratamento de cuidados clínicos para refletir esse resultado mais recente. Embora a ciência tenha funcionado, devemos, agora, voltar nossa atenção para o acesso. Dada a extensão da desigualdade global da vacina, as pessoas nos países de renda mais baixa correm o maior risco de covid-19 grave e crítica. Essas são as pessoas que essas drogas precisam alcançar”, completou Diaz.

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