Cientistas de diversas universidades publicaram estudo que indica que planetas dotados de inclinação em seus eixos — como a Terra — são mais propensos a desenvolverem vida de forma complexa, graças a um aumento na produção de oxigênio vindo dos oceanos.

A pesquisa, apresentada na conferência Goldschmidt de Geoquímica, contou com financiamento da Nasa. Sua equipe principal é formada por estudiosos das universidades de Purdue e Chicago, liderada pela pesquisadora chefe Stephanie Olson e a estudante de graduação Megan Barnett.

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Imagem mostra a Terra em suas várias fases de órbita conforme a inclinação de seu eixo.

Segundo cientistas, planetas com inclinação em seus eixos têm potencial de desenvolverem vida
A Terra é dotada de uma inclinação de pouco mais de 20°, o que a torna propensa à distribuição de oxigênio e, com ele, as condições para o surgimento de formas de vida complexas. Imagem: mkarco/Shutterstock

Segundo elas, muitos são os fatores que levam à criação da vida como a conhecemos, tais como a distância de um planeta em relação à sua estrela (a chamada “zona habitável”). Entretanto, quando falamos de formas de vida mais complexas, outros elementos são necessários — especificamente, oxigênio atmosférico.

O oxigênio é o elemento químico essencial à maior parte das reações dos organismos. Sem ele, plantas e animais não executariam o processo de respiração. Olson e sua equipe criaram um modelo que simulasse as condições exigidas pela Terra para a criação de vida, permitindo que fossem inseridos diversos parâmetros de análise, a fim de mostrar como a mudança de certas condições alteraria a produção — ou a falta dela — de oxigênio no planeta.

“Esse modelo nos permitiu alterar coisas como a duração do dia, o volume de atmosfera ou a distribuição de terra para ver como ambientes marinhos e a vida marítima produtora de oxigênio responderiam”, ela comentou.

Com base nisso, a equipe de pesquisa descobriu que o aumento de duração do dia, maior pressão da superfície e o aparecimento de grandes massas de terra (continentes) influenciaram na circulação oceânica de nutrientes, de forma a aumentar a produção de oxigênio.

E nisso entram os planetas com inclinação em seus eixos e, teoricamente, aptos à vida:

“O resultado mais interessante veio quando inserimos o fator de ‘obliquidade orbital’ em nosso modelo — ou seja, como o planeta se inclina à medida que gira em torno de sua estrela”, disse Megan Barnett. “Maiores inclinações aumentaram a produção fotossintética de oxigênio pelos oceanos, em parte pelo aumento da eficiência com a qual ingredientes biológicos eram reciclados. O efeito foi algo próximo do dobro de nutrientes que sustentam a vida”.

No caso da Terra, nosso planeta tem inclinação de 23,5 graus (°), com o efeito disso sendo as estações do ano: partes do mundo recebem mais luz direta do Sol, gerando o verão e primavera, enquanto as menos favorecidas ficam mais frias, criando o outono e o inverno. Outros planetas trazem inclinações diferentes: Urano se inclina em 98°, ao passo que Mercúrio não tem nenhuma inclinação (0°).

“Existem vários fatores a serem considerados na busca pela vida em outros planetas”, disse Olson. “O planeta deve estar na distância certa de sua estrela para permitir a criação de água líquida e dos ingredientes corretos de origem da vida. Mas nem todos os oceanos serão grandes ‘berços’ para a vida como a conhecemos e, dos que o são, uma parcela ainda menor terá habitats para contemplar a progressão da vida rumo aos animais complexos”.

A especialista continuou: “pequenas inclinações ou variações extremas como as que se vê em Urano podem limitar a proliferação da vida, mas inclinações moderadas de planetas em seus eixos pode aumentar a probabilidade de que ele desenvolva atmosferas oxigenadas, que servirão como berços da vida microbial e alavancarão os metabolismos de organismos maiores. Em resumo, mundos com inclinações moderadas têm mais chances de evoluírem formas de vida complexas”.

Segundo a pesquisadora, essa informação é importante para a comunidade, que pode usar esses dados para reduzir o número de planetas candidatos à busca de vida complexa — ou mesmo inteligente — no Universo.

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