Na próxima semana, deverão desembarcar em Recife 1,1 milhão de doses da vacina russa Sputnik V, imunizante contra a Covid-19. Da capital pernambucana, elas serão distribuídas para os demais estados do Consórcio Nordeste. A Anvisa possui dúvidas em relação a vacina, mas autorizou sua importação devido a questões emergenciais. Um outro lote, com aproximadamente 600 mil doses, será encaminhado para estados do Norte, mas para esse ainda não há previsão.

Segundo o Metrópoles Brasil, o antígeno russo que chegará ao Nordeste na próxima semana faz parte de um processo de importação excepcional, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em junho.

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Após chegar ao Brasil, a vacina russa Sputnik V deve passar por uma análise preliminar no Instituto Nacional de Controle de Qualidade, ligado à Fiocruz, antes de ser distribuído para os integrantes do Consórcio do Nordeste, que compreende os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Especialistas acreditam que essa apuração ocorra por mais uma semana.

Sputnik V
Doses da vacina russa Sputnik V que chegarão ao Nordeste são insuficientes para alavancar a vacinação na região, mas se fazem importantes no processo de autorização nacional do insumo. Foto: vovidzha/Shutterstock

O lote com 1,1 milhão de doses da Sputnik V será encaminhado para algumas regiões nordestinas com restrições e controle epidemiológico administrado. Quer dizer que, na prática, a vacina russa será incorporada ao plano de vacinação desses estados de maneira controlada, com estudo de sua segurança e eficácia.

A cidade de Sousa, na Paraíba, com 69 mil habitantes, receberá imunização em massa, a exemplo do que ocorreu em Botucatu e Serrana, em São Paulo, com aplicação da Coronavac.

A Anvisa, apesar de declarar incertezas com relação a eficácia da vacina russa Sputnik V, autorizou a importação do imunizante por acreditar nas vantagens para o momento crítico em que o país se encontra. “Os benefícios podem superar os riscos na tomada de decisão”, disse Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa.

Conforme determinações da agência, no entanto, os importadores da vacina devem assumir todas as responsabilidades pelo uso do fármaco, uma vez que a Anvisa ainda não concedeu registro de uso emergencial ou definitivo dos imunizantes. Torres pontuou que todas as condicionantes exigidas pelas áreas técnicas devem ser seguidas.

É preciso dizer, porém, que o montante que chegará ao Nordeste é relativamente pequeno, capaz de imunizar apenas cerca de 1% da população de cada estado. Dessa maneira, a experiência não irá acelerar substancialmente o processo de imunização local.

Ainda assim, a aquisição do lote da Sputnik V pelos estados nordestinos pode levar a uma maior aceitação do imunizante russo no país, passo importante para conseguir a autorização e acelerar o programa de vacinação. Ainda, a experiência deve alavancar os contratos de fabricação da vacina russa no Brasil.

Fabricação nacional da vacina russa Sputnik V

Os desenvolvedores da Sputnik V confirmam que 68 países ao redor do mundo já aprovaram a utilização do imunizante em seus programas de vacinação. A vizinha Argentina é um desses países. Por lá, a segurança e a eficácia da vacina russa apontou efetividade de 79% entre os que tomaram apenas uma dose e proteção de 86% para casos graves entre os que tomaram as duas doses.

No Brasil, a Anvisa ainda não autorizou a utilização da Sputnik V para a vacinação em massa. Contudo, permitiu que uma farmacêutica do Distrito Federal, a União Química, iniciasse o processo de produção nacional utilizando o insumo russo.

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Com isso, a União Química já terminou um lote inicial de 100 mil doses do insumo farmacêutico ativo (IFA). O processo de transferência de tecnologia começou no último trimestre de 2020 e terminou em abril deste ano. A qualidade da vacina foi atestada pelos desenvolvedores na Rússia.

Atualmente, a farmacêutica realizou um investimento de 300 milhões reais em um novo processo de fabricação da Sputnik V. Eles afirmam já poder liberar 8 milhões de doses imediatas do imunizante e pretendem pedir o registro definitivo da vacina junto à Anvisa no próximo mês.

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