Em janeiro de 2003, a Apple chamou a atenção ao lançar no mercado o primeiro notebook com tela de 17″, uma versão do Powerbook G4. Na época, a empresa se gabava das características físicas da máquina: peso de “apenas” 3 Kg e 25 mm de espessura na parte mais grossa, com uma autonomia de bateria de 2 horas de 20 minutos. Suficiente para assistir a um filme inteiro em DVD, imaginem só!

Comecei este review com uma pequena “viagem ao passado” pois ela revela bem o contraste com máquinas atuais, que se beneficiam de quase 20 anos de avanços na tecnologia. E entre elas está a família LG Gram.

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A linha é conhecida por seus designs finos e leves (daí o nome Gram, se você não percebeu), e a LG se orgulha de que suas máquinas são certificadas pelo Guinness World Records®, como as mais leves do mundo: o modelo de 14 polegadas da geração atual pesa menos de 1 quilo, e o de 17 polegadas que testamos (17Z90N), apenas 1,350 quilogramas.

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Nossa máquina de teste veio configurada com um processador Intel Core i5 de 10ª geração, 8 GB de RAM e uma unidade SSD de 256 GB. Além de leve, como já citamos, o Gram também é fino: ele tem apenas 16,5 mm de espessura na parte mais grossa.

A tela é um painel LCD IPS com resolução de 2.560 x 1.600 pixels, que segundo a fabricante é capaz de reproduzir 96% do espectro de cores sRGB. E ela é simplesmente incrível, com ângulo de visão e contraste excelentes e cores vivas que parecem saltar da tela.

A tela LCD IPS de 17" do LG Gram tem alta resolução e excelente qualidade de imagem. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital
A tela LCD IPS de 17″ do LG Gram tem alta resolução e excelente qualidade de imagem. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

O que não é incrível é a webcam que fica na fina moldura acima da tela. Com um sensor de apenas 0,9 MP, a resolução máxima de captura é 720p a 30 quadros por segundo. E a qualidade das imagens é simplesmente horrenda: elas são cheias de ruído, lembrando uma TV analógica mal-sintonizada.

Graças à tela, há espaço o bastante para incluir um teclado “full-size” que é bastante confortável, além de um teclado numérico à direita. As teclas são iluminadas, o que é ótimo para digitar em ambientes escuros, e é possível escolher entre dois níveis de luminosidade, embora, na prática, eu não tenha percebido muita diferença entre eles.

Teclaro retroiluminado tem dois níveis de brilho. O leitor de impressões digitais fica integrado ao botão Power, no canto superior direito. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Um recurso de segurança interessante é o leitor de impressões digitais, integrado ao botão Power, que permite substituir a dupla login/senha por um rápido toque no botão para iniciar uma sessão no Windows

Ao contrário de máquinas com o recém-lançado Galaxy Book Pro, o LG Gram é bem servido no quesito portas: no lado esquerdo há entrada para o carregador, uma porta USB 3.1, uma saída HDMI e uma porta USB-C. Do lado direito ficam um slot para cartões de memória micro SD, conector para fones de ouvido, duas portas USB 3.1 e um slot para uma trava tipo Kensington. A porta USB-C é compatível com Thunderbolt 3. 

Além da webcam, outro ponto que desapontou foram os alto-falantes: eles ficam na parte de baixo do notebook, o que por si só não ajuda, e soam abafados e com volume baixo. Definitivamente, você vai querer usar fones de ouvido se quiser aproveitar a bela tela para assistir a uma série ou filme favorito.

Visão lateral do LG Gram: boa seleção de portas e apenas 16,5 mm de espessura. Imagem: LG

Mas o principal destaque do LG Gram é a autonomia de sua bateria de 80 Wh, que segundo a fabricante pode durar “até 17 horas”. Se tem uma coisa que aprendi em mais de 20 anos acompanhando o mercado de tecnologia, é: “nunca confie na estimativa de bateria do fabricante”. Isso porque os números geralmente não refletem o resultado no mundo real. 

Foi por isso que fiquei agradavelmente surpreso com a autonomia que consegui durante meu uso típico. Recapitulando, sou o que é classificado como “office worker”: meu dia típico envolve a produção de textos, edição leve de imagens e muita, muita navegação na web em uma conexão Wi-Fi, embalada ao som de playlists no Spotify ou YouTube Music e reproduzidas em fones Bluetooth.

Nesse regime, consegui 9 horas e 52 minutos de autonomia, o que é excelente. Foi o suficiente para um expediente inteiro e mais um “chorinho” para o dia seguinte. Trabalhar um dia todo sem me preocupar em onde estão o carregador ou a tomada mais próxima é algo surreal, que eu nunca havia conseguido com outra máquina antes.

Bela tela, bom desempenho e excelente autonomia de bateria definem o LG Gram. Imagem: LG

Como “cerejinha” do bolo, o desempenho do LG Gram é excelente, seja lidando com dezenas de abas no Chrome ou softwares mais pesados como o Adobe Photoshop e Illustrator. Não há uma GPU dedicada, apenas a Intel Iris Plus integrada ao processador, então esta não pode ser considerada uma máquina “gamer”. Jogos como “Genshin Impact” rodam bem na qualidade gráfica baixa, se você limitar a resolução a 1920 x 1080 pixels.

Leve e com uma autonomia de bateria absurda, o LG Gram é a máquina ideal para quem precisa de mobilidade acima de tudo. A máquina tem preço sugerido de R$ 9.999,00 na configuração testada, mas há outros modelos com telas menores, como um de 14 polegadas (14Z90N) que custa R$ 7.999,00.

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