Vale tudo no mundo dos negócios espaciais? Para Jeff Bezos, talvez sim. Inclusive, oferecer um “desconto” na casa dos bilhões à Nasa para que a agência espacial norte-americana desista de seu contrato firmado com a SpaceX no início do ano e opte por fechar com a Blue Origin.

Jeff Bezos parece estar disposto a qualquer coisa para Nasa desistir de contrato com a SpaceX. Imagem: Divulgação Blue Origin

As informações são do site The Verge, que lembra que Bezos recorreu a uma série de esforços crescentes para ganhar o lucrativo contrato referente a um sistema de pouso lunar humano.

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Em uma carta publicada na manhã de segunda-feira (26) ao administrador da Nasa, Bill Nelson, Bezos disse que renunciaria permanentemente a até US$ 2 bilhões em pagamentos de contratos nos primeiros dois anos se a agência adicionasse o módulo lunar Blue Moon da Blue Origin a uma fase-chave do Human Landing System, parte do programa Artemis, que pretende levar novamente astronautas à Lua já em 2024.

Além disso, Bezos propõe que a Blue Origin se autofinancie para um teste de lançamento da Blue Moon, sua sonda flexível para transporte de cargas úteis, na órbita baixa da Terra. Um feito que, sozinho, provavelmente vale centenas de milhões a mais. “Eu acredito que esta missão é importante”, disse Bezos. “Estou honrado em oferecer essas contribuições e sou grato por estar em uma posição financeira que me permite fazê-lo. Tudo o que a Nasa precisa fazer é aproveitar esta oferta e alterar o contrato”.

Um porta-voz da Nasa disse que a agência estava ciente da carta de Bezos, mas se recusou a comentar mais “a fim de manter a integridade do processo de contratação em andamento e a adjudicação do GAO (sigla em inglês para Escritório Contábil do Governo) sobre este assunto”.

Ceder às investidas de Jeff Bezos não seria tão simples quanto parece

“Alterar o contrato para aproveitar as vantagens oferecidas por Bezos não é tão simples quanto pode parecer”, afirma Lori Garver, ex-administradora adjunta da Nasa que supervisionou o início do Programa de Tripulação Comercial da agência. 

Segundo ela, a oferta de Bezos é algo que a agência não deve descartar, mas também pode não funcionar da maneira que a Blue Origin deseja. “Vejo isso como um sinal positivo no geral, mas não deve impactar as concessões ou a estratégia atuais”, disse ela.

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Bezos não engoliu a derrota para Elon Musk na disputa

Tudo isso começou em abril, quando a agência anunciou que a SpaceX, de Elon Musk, transportaria tripulações de humanos dos EUA para a Lua a partir de 2024, arquivando, com isso, as propostas da Blue Origin e de outro licitante, a Dynetics. 

Essas empresas ainda estão concorrendo a uma futura competição da Lua, ainda em andamento, mas a Nasa afirmou que seus fundos limitados do Congresso só permitiam que a agência escolhesse um único contratante: a SpaceX.

De acordo com Garver, “trazer mais empreiteiros concorrentes sempre foi o plano, e é bom saber que agora teremos um deles também colocando sua própria pele em jogo”. No entanto, ela acha improvável que a nova oferta mude a posição da agência sobre o processo atual. 

Funcionários temem que ajustes na decisão da Nasa de conceder à SpaceX um contrato exclusivo possa gerar novos problemas legais. “A Nasa não pode simplesmente ‘aceitar ofertas’ porque o financiamento é oferecido. Não há absolutamente nada que impeça a Blue Origin de seguir em frente com seu próprio dinheiro para ficar em uma posição melhor para ganhar algo na próxima rodada”, diz Garver.

Protesto da Blue Origin levou caso à análise do GAO

A insatisfação de Bezos, que levou ao protesto da Blue Origin contra a decisão da Nasa, suspendeu o contrato de US$ 3 bilhões da SpaceX com a agência, que agora está sob análise do GAO. 

Segundo a agência, o prazo para a decisão do GAO é 2 de agosto (próxima segunda-feira). Essa decisão poderia recomendar — mas não obrigar — a Nasa a reiniciar o programa de concorrência e revisar sua decisão, ou rejeitar o protesto da Blue Origin e retomar o plano em andamento.

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