Além de enfrentar um grande desafio com a pandemia da Covid-19, sendo um dos países mais afetados pelo vírus, a Índia ainda precisa lidar com uma onda de infecções por fungo, que se alastra principalmente em pacientes que se recuperaram do coronavírus.

A mucormicose não é transmissível entre humanos, mas o ambiente hospitalar da Índia, junto com o sistema imunológico fragilizado dos pacientes combinado ainda com uma série de medicamentos ineficazes usados em excesso parece ter tornado o país asiático um lugar fértil para o chamado “fungo negro”.

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Em pessoas com o sistema imunológico saudável, o fungo, que está no ar, geralmente não consegue causar danos e passa despercebido. Mas em pacientes fragilizados, que desenvolvem uma infecção, a taxa de mortalidade passa de 50%. Em um país com o sistema médico sobrecarregado, isso pode ser ainda maior.

Cerca de 85% dos infectados pelo fungo na Índia são de pacientes que tiveram Covid-19. “Estava saindo muito sangue, então pensei, o que está acontecendo?”, disse um homem de 41 anos identificado apenas como Srinivas à CNN.

O paciente está internado e se recupera de sua terceira cirurgia para remover tecido infectado. O tratamento para a mucormicose é extremamente complexo e muitas vezes necessidade de diversos procedimentos cirúrgicos, podendo deixar sequelas.

Fungo na índia

A Índia ainda sofre com uma grave escassez de medicamentos para tratar o fungo. “Percorremos Bangalore em busca da medicação, mas mesmo os hospitais privados têm de pedir o medicamento aos hospitais do governo. Ele simplesmente não está disponível em lugar nenhum”, disse Shyamala.

“Esse fungo existe naturalmente na natureza. Realmente a infecção é rara, mas pode causar uma micose muito grave, pode acometer o nariz, a pele, o estômago e órgãos”, explicou o médico Marcelo Simão, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) ao Olhar Digital.

A mucormicose é uma infecção rara causada pela exposição a mofo mucoso que é comumente encontrado no solo, plantas, esterco, frutas e vegetais em decomposição. “Aparece bastante também em quem faz tratamento para leucemia, diabéticos, transplantados… No geral, em pessoas com sistema imunológico mais fraco. As drogas para combater a Covid-19, a internação, tudo isso favorece o surgimento do fungo”.

Apesar disso, o especialista ressaltou que o quadro nessa gravidade, com tantas contaminações, parece ser algo voltado para a Índia, que sempre conviveu com forte presença da mucormicose. “Foi realmente uma surpresa que esse fungo esteja se espalhando dessa maneira na Índia. Mas parece ser algo particularmente de lá, que sempre teve muitos casos de mucormicose. Não acho que o Brasil corra algum risco desse tipo“, salientou Simão.

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