Um novo e grande estudo, publicado na BMC Medicine, descobriu que beber pequenas doses diárias de álcool pode estar relacionado a uma redução de novos ataques cardíacos em pessoas que já sofreram com a complicação. A descoberta também se aplica a derrames, angina (dor no coração por causa de artérias comprimidas) e morte prematura.

“Nossas descobertas sugerem que as pessoas com DCV (doença cardiovascular) podem não precisar parar de beber para prevenir ataques cardíacos adicionais, derrames ou angina, mas que eles podem considerar reduzir sua ingestão semanal de álcool”, disse o autor do estudo, Chengyi Ding, um estudante de pós-doutorado na University College London, em um comunicado.

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A conclusão ocorreu após a equipe comparar mais de 48 mil pessoas, entre homens e mulheres, que tiveram ataques cardíacos, derrame ou angina, e que bebiam ou não após a ocorrência. Eles foram acompanhados por 20 anos e estudos anteriores também foram adicionados a nova pesquisa.

homem com ataque cardíaco
Beber pequenas doses de álcool pode evitar novos ataques cardíacos; especialista pondera estudo. Imagem: Shutterstock

“Esta [descoberta] não é para a população em geral – o estudo aplica-se a pessoas que já tiveram algo relacionado à saúde cardiovascular”, disse a pesquisadora Emmanuela Gakidou, diretora sênior de desenvolvimento organizacional e treinamento do Institute for Health Metrics and Evaluation na Universidade de Washington, em entrevista à CNN.

“E o que eles descobriram é que se você continuar a beber depois de um evento cardíaco, não é tão ruim para você, contanto que você mantenha o consumo baixo”, explicou Gakidou, que não teve participação no estudo.

Resultados

De acordo com os resultados, beber até 105 gramas de álcool por semana pode evitar que pessoas com doenças cardiovasculares tenha novos episódios de ataques. A quantidade é bem menor do que a recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 166 gramas por semana para homens e mulheres ou o limite de 195 gramas para homens nos Estados Unidos.

No entanto, ao aprofundar o estudo, o grupo descobriu que pessoas que bebiam ainda menos – 42 a 56 gramas por semana ou de 6 a 8 gramas por dia – reduziam ainda mais o risco de um novo evento cardiovascular em comparação com pessoas com doenças cardíacas que não bebiam nada.

Pessoas que beberaram 8 gramas de álcool por dia tiveram um risco 27% menor e pessoas que beberam apenas 6 gramas de álcool por dia tiveram um risco 50% menor. O valor equivale a meio copo de cerveja ou vinho nos Estados Unidos. A quantidade pode variar entre países, já que a conta depende da unidade padrão de álcool de cada lugar.

Contrapontos

Contudo, a diretora Gakidou ressalta diversos fatores adicionais que devem ser considerados, já que o consumo de álcool aumenta o risco de certas doenças como cirrose, tuberculose e câncer, bem como acidentes de trânsito.

“Se o seu principal risco de saúde é o câncer, então o nível mais seguro de bebida é provavelmente zero”, afirmou a pesquisadora. “E se você tem menos de 40 anos ou mais, o nível mais seguro de álcool ainda é zero, porque adultos mais jovens morrem de lesões relacionadas ao álcool em todo o mundo.”

Além disso, Gakidou questiona quão verdadeira foram as pessoas ao responder a quantidade exata que tomam de álcool por dia.  “A probabilidade de alguém responder de forma verdadeira e factual é provavelmente zero”, apontou a especialista.

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Dificilmente, uma pessoa que bebe regularmente tem controle da quantidade que está bebendo, além disso, a evolução das bebidas, como novas cervejas, passaram a conter níveis de álcool muito acima do padrão, o que agravou os problemas relacionados ao álcool, bem como as doenças cardiovasculares que é uma das condições que mais mata no mundo.

‘Embora alguns estudos tenham encontrado melhores resultados de saúde entre quem bebe moderadamente, é impossível concluir se esses resultados são devido ao consumo moderado de álcool ou outras diferenças de comportamento ou genética entre pessoas que bebem moderadamente e pessoas que não bebem “, diz o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

A organização recomenda ainda que “indivíduos que não bebem álcool não devem começar a beber” por qualquer motivo que seja.

À CNN Gakidou informou ainda que tem se aprofundo no tema desde a publicação do seu artigo de 2016 que concluiu que nenhuma quantidade de álcool era segura. Segundo ela, em breve demonstraremos maiores dados para saber como o álcool aumenta ou diminui o risco de doenças por idade, sexo e país.

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