Ciência e Espaço

Cientistas acham “matéria orgânica” no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter

Por Rafael Arbulu, editado por Rafael Rigues
30/07/21 13h40, atualizada em 30/07/21 16h41
Ilustração em 3D mostra o cinturão de asteroides, com Marte ao fundo

Imagem: Jurik Peter/Shutterstock

Astrônomos a serviço do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) foram pegos de surpresa com a descoberta de dois elementos contendo “matéria orgânica complexa” no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Segundo eles, tal matéria pode conter até mesmo os elementos primários que levaram à formação da Terra há bilhões de anos.

Lembrando que “matéria orgânica” neste contexto não significa necessariamente algo produzido por organismos, mas sim substâncias contendo moléculas de carbono e hidrogênio conectadas por ligações covalentes. Carbono é o componente mais abundante, e outros elementos como oxigênio, nitrogênio, fósforo, enxofre e potássio também são comuns.

Olhando para o cinturão, os astrônomos identificaram duas rochas — chamadas “203 Pompeja” e “269 Justitia” — que apareceram com um tom vermelho intenso em seus instrumentos. A cor indica a presença ou ausência de matéria orgânica em um objeto celeste. Quanto mais matéria orgânica, mais vermelho, enquanto objetos sem ela aparecem mais azulados.

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O cinturão de asteroides está localizado entre Marte e Júpiter, com algumas de suas rochas existindo desde os tempos de formação da Terra – ou antes. Imagem: Zonda/Shutterstock

“Para ter esse volume orgânico, você precisaria de muito gelo na superfície”, disse Michaël Marsset, co-autor de um artigo sobre as observações, publicado no The Astrophysical Journal Letters desta semana, ao New York Times. “Então eles devem ter se formado em um ambiente muito frio. Depois, a radiação solar sobre o gelo criou essa matéria orgânica”.

Em outras palavras: essas duas rochas – respectivamente, com 112 e 56 quilômetros (km) de tamanho — podem ter sido criadas no início do nosso sistema solar, preservando matéria daquela época até os dias atuais.

Os cientistas ainda não sabem explicar o motivo desses dois asteroides estarem lá, aliás. Uma teoria é que eles poderiam ser provas de que a migração planetária ocorreu eras atrás. Segundo a teoria do MIT, Júpiter orbitava “por dentro” de sua rota, mais próximo do Sol, enquanto Saturno e Urano orbitavam “por fora”. Isso faria com que destroços planetários fossem lançados por todo o espaço no nosso sistema solar.

Para nos certificarmos dessa teoria — ou desenvolver outras com melhores observações — nós precisamos dedicar mais tempo de estudo para esses objetos, especificamente. Atualmente, temos tecnologia humana posicionada em Marte (o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity, por exemplo) e a sonda orbital Juno, que está em Júpiter.

O fato é: a matéria orgânica encontrada no cinturão de asteroides é mais uma descoberta que pode nos levar a um entendimento maior de como a “nossa casa” se formou.

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