Desde fevereiro deste ano o rover Perseverance, e seu companheiro, o helicóptero Ingenuity, vêm monopolizando a cobertura dos esforços da Nasa para a exploração de Marte. Mas há um outro robô da agência espacial norte-americana que está há muito mais tempo na superfície do planeta: é o Curiosity, que pousou há exatos nove anos.

Sua missão estava originalmente programada para durar 1 ano marciano, pouco menos de dois anos terrestres, mas sua longevidade superou as expectativas. Durante sua estadia o Curiosity percorreu quase 26 quilômetros, perfurou rochas e coletou seis amostras de solo que nos deram informações valiosas sobre a geologia e história de Marte.

publicidade

Ele também detectou “nuvens” de metano na superfície do planeta, substância que na Terra geralmente tem origem orgânica e cuja fonte intrigou os cientistas. Fotógrafo exímio, o robô fez a maior foto panorâmica da paisagem marciana até hoje, fotografou a Terra e Vênus nos céus do planeta e tirou uma selfie antes de escalar um monte.

Reprodução
Imagem panorâmica de Marte capturada pela Curiosity. Foto: Nasa

Mais importante, o rover descobriu que a Gale Crater, cratera de 154 quilômetros de largura onde pousou, tinha abrigado um sistema de lagos e riachos no passado. Observações adicionais sugeriram que esse ambiente foi habitável por longos períodos, talvez centenas de milhões de anos de cada vez.

Leia mais:

Curiosity é duro na queda

Resistente, o Curiosity sobreviveu aos rigores do clima marciano e a várias panes. Uma das mais recentes, em janeiro passado, o deixou “desorientado”. O veículo armazena na memória a posição de todas as partes do seu corpo, direção de seus instrumentos e detalhes da paisagem local. Esses dados ajudam o rover a saber exatamente onde está em Marte e como se mover com segurança. Sem isso, ele trava. O robô voltou a funcionar dois dias depois.

A vida útil do Curiosity é limitada apenas pela durabilidade de seus componentes mecânicos, que estão em bom estado, e sua fonte de energia, um gerador termoelétrico chamado RTG que funciona à base de plutônio. Salvo por uma falha mecânica mais séria, o rover deve continuar explorando o planeta por ao menos mais cinco anos, até 2026. Mal podemos esperar para saber o que mais ele poderá descobrir.

Gêmeo do rover Rosalind Franklin (ExoMars), que está sendo testado aqui na Terra em um ambiente que simula as condições de Marte. Imagem: ESA
Gêmeo do rover Rosalind Franklin (ExoMars), que está sendo testado aqui na Terra em um ambiente que simula as condições de Marte. Imagem: ESA

Robôs por todo o planeta

Durante sete anos, Curiosity teve a “companhia” do Opportunity, um rover mais antigo da Nasa que pousou em Marte em 2004 e ficou ativo até meados de 2018. Depois de um curto período de “solidão”, ele ganhou a companhia do lander InSight, que pousou na Elysium Planitia em novembro de 2018 com a missão de estudar o interior do planeta.

Em fevereiro deste ano chegaram o Perseverance e o Ingenuity, e em maio o rover chinês Zhurong. Se continuar operando por mais dois anos o Curiosity poderá ter também a companhia do rover europeu Rosalind Fraknlin (também conhecido como ExoMars), que está em testes na Terra e deve ser lançado em setembro de 2022, com pouso em Marte em junho de 2023.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!