A sonda espacial Juno produziu novas imagens da lua Ganimedes, a maior de Júpiter e do nosso sistema solar, usando tecnologia infravermelha para fazer o registro. A imagem trouxe novas perspectivas do satélite, que podem ajudar os cientistas a fazerem novas descobertas sobre Ganimedes, à medida que a sonda Juno navega pela órbita de Júpiter e faz novos registros a cada passagem.

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Foto infravermelha tirada pela sonda espacial Juno mostra, em infravermelho, imagem detalhada da lua Ganimedes, a maior de Júpiter
Imagem infravermelha da lua Ganimedes, feita pela sonda espacial Juno, permitirá a cientistas analisarem mais informações sobre a superfície congelada da maior lua de Júpiter. Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM

A Juno completou recentemente 10 anos de sua partida aqui na Terra, tendo chegado a Júpiter em julho de 2016. A previsão é que a missão dure até pelo menos 2025, graças a uma extensão concedida pela agência espacial norte-americana. Entretanto, após seu fim, a sonda não voltará para casa: ela será “desorbitada”, e espera-se que ela seja destruída pela atmosfera do planeta gigante gasoso.

Usando a ferramenta conhecida como “Mapeador Auroral Infravermelho Joviano” – ou simplesmente, “JIRAM”, na sigla em inglês —, a Juno foi capaz de detectar emissões infravermelhas invisíveis ao olho nu. Isso permitiu que os controladores da sonda na Terra criassem um novo mapa infravermelho de Ganimedes, o que, espera-se, poderá responder a algumas perguntas relacionadas à crosta congelada da lua e o oceano abaixo dela.

“A Ganimedes é maior que o planeta Mercúrio, mas praticamente tudo o que exploramos nesta missão de Júpiter vem em escala monumental”, disse o chefe de investigação da missão Juno, Scott Bolton. “O infravermelho e outros dados coletados pela sonda durante essa passagem contém pistas fundamentais para compreender a evolução das 79 luas de Júpiter, do período de suas formações até hoje”.

Desta vez, a sonda navegou a uma distância de pouco mais de 50 mil quilômetros (km), o que lhe permitiu enxergar o pólo norte da lua pela primeira vez. Com isso, ela foi capaz de coletar informações referentes a componentes e materiais de alta e baixa altitude, ampliando a base de conhecimento de passagens anteriores dela e de pesquisas advindas de informações de missões antigas, como a Voyager.

“Nós percebemos que as altas latitudes de Ganimedes são dominadas por gelo, em grãos bastante finos, provavelmente resultantes do bombardeamento intenso de partículas carregadas”, disse Alessandro Mura, co-investigador do Instituto Nacional de Astrofísica em Roma. 

“Inversamente, as latitudes baixas são protegidas pelo intenso campo magnético da lua e trazem mais componentes de sua formação original, especificamente, constituentes não aquáticos como sal e matéria orgânica”, disse Mura. “É extremamente importante caracterizar essas propriedades únicas das regiões frias para melhor entendermos os processos de climatização espacial enfrentado pela superfície”.

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